Manu Gavassi canta “Fruto Proibido” em homenagem à Rita Lee
“Acústico MTV: Manu Gavassi Canta Fruto Proibido” já está disponível no Paramount+
“Nunca gostei dos Mutantes sem a Rita Lee“ – é o que canta Manu Gavassi em um dos versos de “Bossa Nossa”, uma das canções mais “deliciosamente debochadas” de sua discografia, como ela mesma diz. Também pudera, quem acompanha a carreira da artista de 30 anos sabe que Rita é uma de suas maiores paixões. E é por isso que, mesmo achando uma “audácia” regravar um clássico como o disco “Fruto Proibido” (1975), ela se despiu de todos os seus medos e inseguranças e agarrou a oportunidade de homenagear sua maior referência musical no especial “Acústico MTV: Manu Gavassi Canta Fruto Proibido”, que estreia nesta quinta-feira (2).
Tudo em um só lugar.
Receba notícias da GazetaWeb no seu WhatsApp e fique por dentro de tudo!

Não é só em “Bossa Nossa” que Manu menciona o nome de uma das mulheres mais emblemáticas da história da música brasileira. O feito se repete em “Deve ser horrível dormir sem mim”, um dos maiores sucessos da carreira de Manu. “Mistura de Rita com Amélie / Quando acha que entendeu, eu nem tô mais aqui”, traz a letra da música.
Leia também
Ao longo de sua carreira, que teve início em 2010 impulsionada pela revista CAPRICHO, a cantora coleciona uma série de homenagens e gestos de carinho e admiração à Rita Lee, desde citações em músicas a declarações nas redes sociais. Para Manu, a intérprete do hino atemporal “Erva venenosa” (2000) é uma artista à frente de seu tempo e que inspira gerações.
“O ‘Fruto Proibido’ é um disco que fala, acima de tudo, sobre liberdade feminina. Ela [Rita] era uma mulher nos anos 70 compondo. Ela era a própria contadora de histórias, dona da própria narrativa. Eu sempre achei tudo isso muito poderoso”, conta Manu, resgatando o fato de que, à época, o comum era ver mulheres interpretando canções escritas por homens. Rita vinha na contramão.


Suspeito de matar jovem de 19 anos no Ouro Preto, em Maceió, é preso

Denúncia anônima ajuda PM a apreender armas em Maceió

Goleiro do CSA, Wellerson desabafa após falha em empate com Jacuipense - 2/6/26

CRB se reapresenta e inicia preparação para duelo contra o São Bernardo - 2/6/26
O que Manu também coleciona é uma porção de memórias afetivas de momentos em que a voz de “Ovelha negra” (1975) marcou sua vida. A primeira delas é a de ouvir o “Acústico MTV: Rita Lee”, lançado em 1998, em trajetos de carro que fazia com os pais. Mais velha, ela lembra de ter ficado ainda mais fascinada pela artista ao ler sua autobiografia, que chegou às prateleiras em 2016.
“Ali [durante a leitura do livro de memórias] tive muita clareza do que ela é. Vi o quão autocrítica ela é. Me vi em diversos momentos. Pensava ‘meu Deus, quanta história existe aqui!’. Ela entendia desde sempre o pacote além da voz, da performance. Pensava ‘como que essa mulher faz um show desses nos anos 80?!'”, fala a cantora, rasgando a ex-Mutantes de elogios e enfatizando que “A gente só tem uma Rita Lee”.
Manu relata que, para se lançar na homenagem que sempre quis fazer no lugar certo e na hora certa, que ela acredita que seja o agora, nesse projeto, foi necessário criar uma ‘fortaleza’ de segurança para saber que podia ‘pisar ali’. “Tive essa coragem a partir de trocas com a própria Rita. Eu ficava paranoica de que soasse como uma aproximação oportunista. Quis, antes, que ela tivesse a certeza de que eu a amava e respeitava muito antes de fazer essa homenagem”, conta a voz de “Planos Impossíveis”.
Dentre essas trocas que as duas tiveram, Gavassi conta que ficou em êxtase ao sair do BBB, em 2020, e logo de imediato se deparar com um áudio da intérprete de “Lança perfume” (1980). Ela compartilha, ainda, que a artista foi uma das primeiras a escutar o álbum “GRACINHA” (2021).
Para Manu, regravar o clássico de Rita Lee foi um dos maiores desafios de sua carreira. A estrela do mais novo “Acústico MTV” revela que foi uma correria a criação do show. Tudo o que ela tinha era um mês, incluindo os ensaios até a gravação. Apesar do tempo curto ter sido desafiador, ela revela que uma das maiores questões era uma insegurança que ainda nutria, e a necessidade de se provar como artista. “Até que me disseram ‘Ninguém entrega nas mãos de um artista que precisa se provar um Acústico MTV, você já se provou’. E eu disse ‘faz sentido'”, expôs Gavassi.
“Eu achei todo esse processo muito desafiador para mim. Não mudei o tom original das músicas. Sabia que era uma coisa mais rock n’ roll, com agudos, gritos. Então exigiu que eu me desafiasse vocalmente. Nesse aspecto, eu estava numa zona de conforto há muitos anos. Tanto que fiz aulas de canto pra tomar coragem, incorporar atitude, não ter medo de cantar. Até minha professora de canto, que é a mesma há 13 anos, vibrou e falou ‘Finalmente você voltou!'”, diz Manu, que faz a reflexão de que cresceu como artista nesse projeto.
Outra preocupação da cantora em meio ao processo todo era o de “não parecer um cosplay de Rita”. Ela conta que foi imprescindível fazer a homenagem de maneira a imprimir sua identidade e costurar suas referências.
A voz de “Vício” garante que não foi ela quem escolheu o disco, e sim que ele a escolheu, uma vez que a narrativa do projeto tem muito a ver com o que ela está vivendo agora. “O disco fala sobre o quão agridoce é ser uma jovem mulher. E é muito doido pensar que a Rita lançou ele mais ou menos com a mesma idade que tenho hoje, e que agora o regravei quase 50 anos após o lançamento”, observa Manu.
A artista revela que nunca teria coragem de regravar um outro clássico que não fosse o “Fruto Proibido”, já que tinha que ser ele. Ela também resgata que é um álbum muito emblemático, uma vez que marca a emancipação de Rita pós-Mutantes.
Mais detalhes do “Acústico MTV”
No repertório, além de sucessos do disco de Rita Lee como “Ovelha negra” e a própria “Fruto Proibido”, Manu lança mão de canções de sua própria discografia que conversem com o projeto, a exemplo de “GRACINHA”. Ela define essa música, inclusive, como a “mais linda” de sua carreira.
O show conta com participações mais que especiais – as quais Manu se refere como “artistas com ‘A’ maiúsculo”. Abrilhantam o especial Liniker, Lucas Silveira e Tim Bernardes. Um outro detalhe interessante é que a banda é toda formada por mulheres: Alana Ananias (baterista), Ana Karina Sebastio (contrabaixista), Juliana Vieira (violinista), Luana Jones (backing vocal), Mari Jacintho (tecladista), Michelle Abu (percussionista), Monica Agena (violinista) e Paola Evangelista Lucio (backing vocal).
