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Milton Nascimento chega aos 80 anos com aura sagrada pelo canto e pela obra construída com fé no povo da raça Brasil

Vestido pelo estilista Ronaldo Fraga, Milton Nascimento aparece ornamentado como um rei mineiro no show A última sessão de música, com o qual vem se despedindo dos palcos em turnê que se encerrará em novembro em Belo Horizonte (MG).

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Além de belo, o figurino de Fraga faz jus à nobreza desse artista que completa 80 anos hoje, 26 de outubro de 2022, com o status de divindade no universo da música do Brasil. Sim, Milton Nascimento faz 80 anos como entidade da MPB pela aura sagrada do canto e da obra.

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Com aguçada consciência social, Milton deu voz a versos escritos por parceiros letristas – sendo Fernando Brant (1946 – 2015), Marcio Borges e Ronaldo Bastos os mais frequentes e relevantes – que anunciaram a chegada da noite ao mesmo tempo em que reafirmaram a crença nos sonhos que nunca envelhecem.

Em essência, o cancioneiro de Milton Nascimento é manifesto em louvor do povo da raça Brasil. Um sopro de esperança nas Marias que têm fé na vida. Uma ode à amizade e ao poder do amor como remédio para a dor entranhada na música do cantor.

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Musicalmente, Milton Nascimento descortinou admirável mundo novo ao ser projetado nacionalmente em 1967 no palco da segunda edição do Festival Internacional da Canção (FIC), defendendo Travessia, marco inaugural da parceria com Brant.

Milton Nascimento já chegou pronto como cantor e compositor. Tanto que, no ano seguinte, já gravou o álbum Courage (1968) para o mercado fonográfico dos Estados Unidos, para saciar a fome dos norte-americanos do clube do jazz, ansiosos para devorar aquela música repleta de melodias e harmonias inovadoras. Música que não segue padrões, mas que se tornou, ela própria, padrão tão referencial quanto inimitável na MPB.

Milton Nascimento é único. Sob o prisma musical, o artista apareceu sem antecedentes e tampouco deixará seguidores. Há, sim, legião de admiradores que cultuam a obra do artista com a consciência da singularidade desse cancioneiro de alma mineira. Mineira, mas também universal.

Das Geraes, Milton sempre enxergou o mundo, sobretudo a América Latina. A latinidade pulsa em parte da música composta pelo artista nos anos 1970, década que concentra o suprassumo da produção autoral do compositor. A partir de 1985, Portal da cor – parceria com o guitarrista e compositor Ricardo Silveira – abriu caminhos para o jazz de forma mais explícita.

Só que a música de Milton Nascimento sempre extrapolou rótulos e fronteiras. Se há uma característica, é a do espírito gregário que anima o compositor e que moveu álbuns como Clube da Esquina (1972), Clube da Esquina 2 (1978) e Angelus (1993).

Milton é de turmas. Gosta de amigos. Mas, ao mesmo tempo, parece conter todo o universo em si mesmo, na alma no íntimo solitária e traduzida com sensibilidade nos versos de poetas letristas como Marcio Borges – o primeiro parceiro – e Fernando Brant, além de Ronaldo Bastos, o poeta fluminense admitido com honras no clube mineiro.

Por já ser eterno, Milton consegue embaralhar a noção de tempo. Parece haver um menino morando eternamente no coração do artista e esse menino vem sendo conduzido pelo velho maquinista com seu boné rumo à estação de trem onde somente desembarcam os gênios imortais como o já octogenário Milton Nascimento.

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