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Religiosos de matriz africana mantêm viva a tradição do Dia de Cosme e Damião em Maceió

Distribuição de doces e brinquedos celebra santos católicos e orixá pelas ruas da capital

Alegria, brinquedos, festa e muito doce são itens primordiais para manter a tradição da celebração que acontece durante o mês de setembro para louvar São Cosme e São Damião, na religião católica, e os Ibejis nas comunidades de matriz africana. Independente da religiosidade, as divindades se conectam pelas semelhanças, uma delas, o amor que partilham.

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São Cosme e Damião, os médicos gêmeos, utilizaram seus dons para falar da fé e da importância da caridade ao atenderem e prestarem serviços gratuitos para aqueles que necessitavam. Já os gêmeos Ibeji são os orixás protetores da vida e trazem consigo a representação da continuidade e da fartura.

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A festa, conhecida pela entrega de doces e brinquedos às crianças está associada aos dois credos, principalmente por causa do sincretismo religioso, usado para manter viva as tradições ancestrais em períodos de perseguição aos religiosos de matriz africana. Os adoradores do Orixá, que perceberam semelhanças entre as divindades, passaram a adorar também os gêmeos Cosme e Damião, para que assim fosse possível driblar a intolerância religiosa e louvar o orixá Ibeji.

Atualmente, São Cosme e São Damião são celebrados durante o 26 de setembro, enquanto o povo de matriz africana louva Ibeji e todas as crianças no dia 27. Durante esse período, por todas as ruas, na capital e no interior, é possível encontrar ao menos uma casa que esteja entregando doces para os vizinhos, doando comida e brinquedos para cumprir promessas ou agradecer pelos bons acontecimentos.

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				Religiosos de matriz africana mantêm viva a tradição do Dia de Cosme e Damião em Maceió
Cortesia

Nos terreiros, os festejos começam dias antes, com a montagem dos saquinhos de doces que garantem a felicidade das crianças. Além das cerimônias realizadas para Ibeji, as casas de candomblé e umbanda aproveitam para compartilhar momentos com a comunidade infantil, proporcionando um dia de brincadeiras e sorrisos.

Há mais de 20 anos, o mês de setembro é marcado pela alegria e experiências vividas com as crianças do entorno do terreiro. Entre elas estão os filhos de Lucélia Tayná, que desde a barriga participam das festividades. Com brincadeiras, premiações e muita comida gostosa, a tradição é repassada de geração para geração.

“Eu fui uma das crianças que cresceu indo buscar os saquinhos de Cosme e Damião, tempos depois descobri minha relação ancestral com os Ibeji, afinal, eu sou gêmea. Hoje, faço questão de que os meus filhos participem e tenham experiências como as minhas. Thauan é meu mais velho, tem nove anos e sempre me acompanhou, e, neste ano, foi a primeira vez do Ayan, que tem apenas 2 meses e passou o final de semana inteiro ligado nas atividades do terreiro”, contou.

Unindo samba e caridade, há 7 anos os integrantes do grupo Samba da Periferia realizam uma grande roda alusiva a São Cosme e Damião para arrecadar brinquedos para as crianças carentes da zona sul de Maceió. Durante uma noite, os sambistas reúnem, no Bombar & Galeteria, amigos artistas dos mais diversos segmentos para incentivar a doação de brinquedos e festejar as divindades.


				Religiosos de matriz africana mantêm viva a tradição do Dia de Cosme e Damião em Maceió
Cortesia

Já Samuel Carlos, abre as portas de sua casa, há 10 anos, para festejar os gêmeos e compartilhar com amigos as comidas favoritas de Ibeji. Tradicionalmente recheando a mesa com caruru, vatapá, feijão fradinho, banana frita e farofa, o cozinheiro e professor de gastronomia conta que começou a fazer o tão falado caruru após receber a indicação divina.

“Meus amigos sempre me chamavam para ir comer o caruru na casa dos outros e eu ia. Em Salvador existe a tradição de colocar sete quiabos inteiros dentro da panela e aqueles que pegam algum tem que fazer o caruru no próximo ano, e eu peguei, mas ainda era adolescente, levei na esportiva, mas anos depois assumi a minha responsabilidade”, relembrou.

Com o tempo, fazer o caruru virou tradição em sua vida e Samuel não abre mão de realizar o evento. De acordo com ele, tudo começou muito pequeno, pois, logo quando chegou em Maceió, tinha poucos amigos, mas com o tempo, o caruru foi tomando grandes proporções. Além de compartilhar o alimento com os amigos, o cozinheiro distribui as quentinhas com a tradicional comida pela vizinhança e realiza cerimônias para Ibeji neste dia 27 de setembro.

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