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Atleta alagoano é vítima de ato racista em campeonato profissional de futevôlei no Mato Grosso do Sul

Jonathan participava de uma competição na cidade de Maracaju-MS, quando o narrador da partida utilizou de termos racistas para anunciar a entrada do atleta em quadra

Em uma competição de futevôlei profissional, realizada nesse fim de semana, em Maracaju, cidade localizada no interior de Mato Grosso do Sul, o atleta alagoano Jonathan David, 25 anos, foi vítima de um ato racista durante a realização da partida final, que ocorreu no domingo (14). Ao ser anunciado para entrar em campo, o narrador da partida, Vitor Matheus, conhecido como "Baratinha" proferiu a seguinte frase: "Agora vamos chamar o monstro, saiu da senzala ele!", referindo-se ao atleta.

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A GazetaWeb conversou com Jonathan, que explicou qual foi o sentimento que teve, após ouvir as palavras intoleráveis. Quando perguntado sobre o peso de uma situação assim, durante uma final de campeonato, a primeira frase de Jonathan abala. "Foi uma sensação que nunca passei na vida", lamentou.

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Respondendo sobre como um atleta de alto nível consegue continuar competindo, mesmo após ser foco de um comentário racista, o atleta disse: "Eu não iria me levantar, no vídeo dá até pra ver que eu fiquei alguns segundos sentado, me sentindo bem humilhado. Mas sou atleta profissional e é dali que tiro meu sustento. Daí levantei e fui jogar".

Jonathan venceu a partida e levou a maior premiação do campeonato. Sobre a vitória, o alagoano disse: "Consegui vencer, na minha cabeça, eu não podia deixar isso me abalar".

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No vídeo citado, pode-se escutar claramente os dizeres proferidos pelo narrador e também sentir o desconforto do atleta ao ser convocado à quadra. Veja o vídeo:

Advogado da vítima, Thiago Pinheiro também falou com a reportagem da Gazetaweb. Segundo ele, o atleta o procurou para entender melhor os seus direitos, já que se sentiu impotente diante da situação.

"Foi para disputar esse campeonato, no Mato Grosso do Sul e o narrador que anuncia as duplas fez a referência que está no vídeo. Ele (Jonathan) sentiu-se muito humilhado, né? Me procurou, como advogado, para saber o que ele tem direito, neste caso de racismo. Vou provocar o Ministério Público do Estado do Mato Grosso do Sul, vou provocar também o Ministério Público daqui (AL) também, para acompanhar este caso de perto, já que a vítima é daqui. E vou entrar com ação por danos morais contra o evento, contra a organização do evento e contra o cidadão que promoveu este ato de injúria racial", revelou o advogado.

Em resposta ao episódio, a reportagem tentou falar com Baratinha, o narrador da partida, e ele, por meio de nota de esclarecimento, pediu desculpas e assumiu a culpa. Vitor Matheus disse ao longo da nota que, o que foi "narrado" durante o chamado de Jonathan não faz parte do que acredita e nem do que deseja "ensinar ao meu filho".

Mais à frente na nota, ele pede desculpas a Jonathan e a sua família, dirigindo o pedido de perdão também "à comunidade afrodescendente" e se disse "de coração aberto" para assumir o erro e transformá-lo em um "aprendizado honesto e integral".

Confira a nota do narrador Baratinha na íntegra:

Antes de mais nada, quero admitir o meu erro. O que "narrei" durante a apresentação do ATLETA JOHNATAN não condiz com oque penso e o que vou ensinar a meu filho.

Todos sabem que eu NARRO os jogos de forma amadora e não profissionalmente. Infelizmente, agi ERRADO; cometi o grave erro de falar o que falei com a conotação racista.

Gostaria de me desculpar com todos, principalmente com o ATLETA E SUA FAMÍLIA, sem exceção, mas sobretudo com a comunidade afrodescendente. De coração aberto, estou disposto a fazer desse erro um aprendizado honesto e integral.

Também quero me desculpar com o CT P67 de Maracaju MS que é uma instituição que desde sempre prega e luta pela igualdade, com meus companheiros de equipe e minha família.

Att

V. Matheus.

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