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Adolescentes denunciam racismo em loja da Fast Shop, em São Paulo

Pai de um dos meninos repostou imagem de um vídeo, gravado pelos jovens, exibindo funcionário da Fast Shop atrás deles

Os pais de um adolescente negro registraram boletim de ocorrência com a denúncia de que o filho, o sobrinho e um amigo foram vítimas de racismo em uma loja da rede Fast Shop no Shopping Pátio Higienópolis, localizado em bairro nobre da capital paulista.

Por meio de seu perfil no Instagram, Djalma Campos, 51, pai de um dos garotos, afirmou que o filho e o sobrinho haviam saído do cinema na tarde da última quarta-feira (20), quando decidiram dar uma volta pelo shopping com um amigo.

Ele diz que os três garotos, então, entraram na unidade da rede de eletrodomésticos e equipamentos eletrônicos Fast Shop para olhar uma geladeira com tela de toque e acesso à internet, que tinham visto em uma rede social.

“E ali, começou um problema que todo negro e negra, adulto ou criança, já enfrentou na vida: a perseguição por conta do racismo”, escreveu Campos.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, ele afirma que um segurança da loja passou a seguir os meninos, que têm 12 e 13 anos, pela loja. Filmado pelo filho de Campos, que questionou o que estaria acontecendo, ele se identificou como “gestor de departamento”.

Os garotos, então, saíram da loja, pois se sentiram incomodados, mas depois decidiram voltar. O filho de Campos registrou a cena com a câmera frontal de seu celular, com medo de sofrer retaliação por estar filmando o funcionário.

“Seguinte, mano: tem um cara aqui, olhando para todo lugar que nós vamos, então vão ficar olhando (…) o cara vem atrás”, diz um dos garotos no vídeo.

Campos também conta que a gerente da loja afirmou, em ligação após o ocorrido, que, para não perder clientes, os funcionários são orientados a se manter próximos, para oferecer mais informações aos consumidores. Segundo o relato, ela também disse que iria olhar as filmagens das câmeras no dia seguinte para avaliar o ocorrido.

Djalma diz acreditar, no entanto, que a gerente da loja parecia não entender o que poderia ser uma abordagem racista.

“Eu já passei por essa situação algumas centenas de vezes na minha vida, mas acho que não dá mais para admitir isso. Não que antes desse, mas o potencial de periculosidade que uma criança de 12 anos tem para uma loja de shopping é zero.”

Segundo ele, o sobrinho e o amigo que estava com seu filho estudam perto do shopping e costumam almoçar ali durante o período de aulas.

O criador de conteúdo também escreveu em seu perfil que a Fast Shop pediu que sua irmã ligasse no dia seguinte (nesta quinta-feira), para detalhar o caso, que eles dizem ter ocorrido devido ao racismo estrutural.

“No Brasil, o racista se sente tão confortável com o crime, que consegue um prazo de 24 horas para formular alguma ação de ‘contenção de crise’ ou uma resposta protocolar sobre a atitude do segurança.”

Em nota, a Fast Shop afirma que repudia todo e qualquer ato discriminatório e destaca que possui valores éticos definidos e que não tolera discriminação.

“A rede informa, ainda, que seu código de ética estabelece regras de conduta, além de ativamente ser uma empresa que promove a diversidade em suas ações, equipes e ambientes.”

Segundo a empresa, foi iniciada uma investigação para apurar o ocorrido e, caso seja comprovada qualquer atitude irregular ou discriminatória por parte de algum colaborador, todas as medidas cabíveis serão adotadas.

Também por meio de nota, o Pátio Higienópolis afirma que entrou em contato com a cliente e com o lojista para apurar os fatos assim que tomou ciência do ocorrido.

“O shopping reitera que repudia qualquer ato que denote discriminação ou qualquer forma de racismo. O empreendimento tem estabelecido um rigoroso código de ética e conduta e promove treinamentos e palestras educativas para público interno e lojistas.”

Não é a primeira vez que o centro de compras é palco de denúncias de racismo. Em 2017, o Ministério Público instaurou um inquérito para apurar se o shopping tinha práticas racistas isoladas ou se elas ocorriam de forma sistemática.

Naquele ano, o centro comercial foi notícia, após uma segurança abordar o pai (branco) de uma criança negra e perguntar se o garoto estava incomodando o cliente. A funcionária se desculpou e disse estar seguindo orientações.

Em 2019, o Pátio Higienópolis fechou um acordo com entidades do movimento negro para cumprir uma série de medidas ligadas aos direitos humanos de crianças que vivem nas ruas. A medida foi uma resposta a uma polêmica criada pelo próprio empreendimento, que teve negado pela Justiça um pedido de autorização para apreender crianças e adolescentes em situação de rua dentro de suas dependências.

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