Dois meses após levar tiro de bombeiro, atendente do McDonald's passa por cirurgia para retirar bala: 'Só quero minha vida normal'
Mateus Domingues, de 21 anos, foi baleado por um cliente, o sargento Paulo César Albuquerque, no restaurante da Taquara, na Zona Oeste
Quase dois meses depois de ser baleado na barriga enquanto trabalhava, pelo sargento do Corpo de Bombeiros Paulo César Albuquerque, o atendente do McDonald's Mateus Domingues Carvalho, de 21 anos, vai realizar uma nova cirurgia nesta quinta-feira (6). O objetivo do procedimento é retirar a bala do crime que ainda está em seu corpo.
Tudo em um só lugar.
Receba notícias da GazetaWeb no seu WhatsApp e fique por dentro de tudo!

Segundo Mateus, a operação também faz parte do tratamento para a reconstrução de seu intestino e para a retirada de uma bolsa de colostomia, que o jovem vem usando desde o ataque que sofreu, no dia 9 de maio, no restaurante da Taquara, na Zona Oeste do Rio. Após ser baleado, Mateus ficou dez dias internado, quando passou por uma cirurgia, perdeu o rim esquerdo e teve ferimentos no intestino.
Leia também
Em entrevista ao g1, Mateus contou que o período de recuperação vem sendo de muita luta e desafios. O jovem disse que a única coisa que ele espera é poder voltar a ter uma vida normal.
"Esse foi um período de muita provação, muita luta, muito desafio. Eu espero que essa cirurgia seja positiva e consiga reverter a colostomia e tirar a bala. Só quero voltar a ter a minha vida normal. Voltar a fazer meus afazeres por conta própria. Estamos na luta. Ou a gente luta ou a gente fica no chão", contou Mateus.


Suspeito de matar jovem de 19 anos no Ouro Preto, em Maceió, é preso

Denúncia anônima ajuda PM a apreender armas em Maceió

Goleiro do CSA, Wellerson desabafa após falha em empate com Jacuipense - 2/6/26

CRB se reapresenta e inicia preparação para duelo contra o São Bernardo - 2/6/26
Ao lado do jovem durante os dias no hospital, Marcela Costa, tia de Mateus, relatou que os últimos meses foram difíceis. Segundo ela, o rapaz teve que ganhar peso para poder passar por essa nova cirurgia.
"É uma luta diária. Ele teve que ganhar peso, teve que ganhar massa muscular para poder fazer essa nova cirurgia, que vai tentar reconstruir o intestino. Ele já estava mais magro e com o tempo que ele ficou no hospital, ficou mais magro ainda. Então é uma luta diária. Bem difícil", disse Marcela.
Por conta do tiro na barriga e dos procedimentos que teve que passar, Mateus convive com muitas dores, tem dificuldade de sentar e andar, além de precisar de ajuda para atividades básicas.
"Ele vem sentindo muita dor na coluna. Ele quebrou o osso na coluna e está com o projétil no corpo ainda. E é super visível. A olho nu você consegue ver a bala. Então, para sentar incomoda. Ele vem sentindo muita dor do lado esquerdo, que foi onde a bala pegou, e na perna também esquerda", contou Marcela.
Jovem tem medo de voltar a trabalhar
A tia de Mateus lembrou que o jovem mudou bastante depois do ataque que sofreu. A mudança não foi só por conta das limitações físicas. Segundo ela, Mateus passou a ter medo de tudo.
"De um mês para cá ele ta mais fechado. Ele ta com medo. Ele pede pra sempre deixar a porta fechada. Tem medo quando o portão faz barulho. Ele ta bem mais assustado. Mas nós estamos tentando retomar, eu sei que é complicado agora, mas vamos seguir", disse Marcela.
Mateus também disse ter medo de voltar a trabalhar na mesma unidade da lanchonete, na Taquara. Para ele, seria como reviver a tragédia todos os dias.
"Eu não tenho planos de voltar para lá. Continuaria trabalhando no Mc Donald ‘s sim, mas não naquela loja. É um lugar que eu não penso em voltar de forma alguma. Eu tenho medo. Tenho medo pelo acontecido, por ser área de milícia".
"Voltar para lá seria como reviver tudo aquilo e acho que não seria uma boa", completou Mateus.
Julgamento terá início em agosto
As preocupações de Mateus vão além de pequenos sustos e o medo de reviver o passado. Ele também relatou que tem medo que o bombeiro Paulo César Albuquerque seja solto pela Justiça.
O sargento que agrediu e atirou contra Mateus teve sua prisão decretada no dia 20 de maio e desde então está em uma unidade prisional da corporação.
Na última segunda-feira (4) a 4ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro manteve a prisão preventiva de Paulo César.
O juiz Gustavo Gomes Kalil, responsável pelo caso, também marcou a primeira audiência de instrução e julgamento para o próximo dia 8 de agosto.
Relembre o caso
O caso aconteceu por volta das 2h do dia 9 de maio desse ano, no McDonald's da Estrada dos Bandeirantes 544, na Taquara. De acordo com colegas de Mateus, um homem fez um pedido no drive-thru, mas só no fim do atendimento disse que tinha um cupom de desconto. Mateus explicou que a informação precisava ser dada no início do pedido.
O cliente ficou insatisfeito, saltou do carro, quebrou a proteção de acrílico e deu um soco no rosto de Mateus. Depois, ele entrou na loja e atirou no funcionário.
“O cliente começou a gritar na pista do drive. Que se não tratasse ele bem, ele invadia o estabelecimento e daria um tiro no funcionário. E ele aplicou um disparo de arma de fogo à queima-roupa dentro do estabelecimento”, relatou uma testemunha.
Imagens de câmeras de segurança gravaram a confusão que terminou com o atendente do McDonald's baleado.
Amigo negou disparo acidental
À polícia, o agressor disse que o tiro foi dado de forma acidental. Uma testemunha, no entanto, negou a versão: Carlos Felipe da Silva Brasil aparece de camisa laranja nas imagens e foi à lanchonete junto com o bombeiro acusado pelo crime.
Em depoimento, ele disse que o tiro não foi acidental. Agora, com o relato da própria vítima, os policiais da delegacia da Taquara reforçaram a tese do inquérito de que houve uma tentativa de homicídio.
Em nota, o McDonald's afirmou lamentar profundamente e informou que prestou socorro imediatamente ao funcionário, que foi levado rapidamente para o hospital pela polícia.
“A empresa está acompanhando e dando todo o suporte para seus familiares e já está colaborando com as investigações sobre o caso”, emendou.
