Reino Unido: ministros renunciam após nova polêmica de Boris Johnson
Premiê britânico é acusado de ignorar denúncias de assédio sexual contra um aliado e nomeá-lo a vice-líder do governo no Parlamento
A gestão do primeiro-ministro Boris Johnson sofreu mais um duro golpe após dois dos seus principais ministros pedirem demissão. Os secretários de Finanças e de Saúde decidiram deixar as funções e alegaram, em carta enviada ao premiê e divulgada nas redes sociais, que não podem mais trabalhar em um governo atolado em escândalos.
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Os ministros expressaram insatisfação com a gestão de Johnson e anunciaram a demissão em comunicados publicados no Twitter, com poucos minutos de diferença, perto da meia-noite (horário do Reino Unido) desta terça.
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Sajid Javid, que ocupava a pasta da Saúde, afirmou que “deixou de confiar” no chefe de governo e que não poderia mais continuar no cargo com a “consciência limpa”.”Está claro para mim que esta situação não mudará sob sua liderança e, por isso, perdi minha confiança”, escreveu.
Rishi Sunak, ex-ministro de Finanças, declarou que o “governo não pode continuar assim”, e “o público espera legitimamente que o governo seja conduzido de maneira competente e séria”.


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A acusação mais recente envolvendo o governo de Boris Johnson é que ele teria decidido ignorar denúncias de assédio sexual contra outro ministro, Christopher Pincher. O premiê supostamente sabia das queixas, mas, ainda assim, teria optado por nomear Pincher como vice-lider do governo no Parlamento.
Na quinta-feira (30/6), Pincher renunciou ao cargo de vice-líder do Partido Conservador, após ser acusado de apalpar dois convidados em um jantar privado na noite anterior. Em carta enviada a Johnson, ele admitiu que havia bebido demais, causado incômodo e “envergonhado” outras pessoas.
O caso ganhou ainda mais visibilidade após Simon McDonald, um ex-funcionário do Ministério das Relações Exteriores, alegar que Downing Street — gabinete do primeiro-ministro — mentiu ao dizer que não sabia de denúncias anteriores de assédio contra Pincher.
As novas polêmicas causaram ainda mais frustração a parlamentares da legenda, que estariam cansados de defender um governo considerado por muitos como marcado por escândalos.
A revelação pode provocar novas tentativas de destituir o primeiro-ministro apenas um mês depois que Johnson venceu moção de desconfiança e conseguiu se manter no cargo.
