Tiro que matou cabeleireira na Vila Cruzeiro foi disparado à longa de distância e entrou pelas costas
Peritos acreditam que Gabrielle Ferreira da Cunha não foi atingida dentro de casa, e que seu corpo foi levado para o local onde foi encontrado
A bala que matou a cabeleireira Gabrielle Ferreira da Cunha, de 41 anos, foi disparada a uma longa distância e entrou pelas costas, de acordo com o exame de necropsia realizado por médicos legistas do IML do Rio de Janeiro.
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A morte da cabeleireira é uma das 13 ocorridas durante a ação policial no Complexo da Penha no dia 23 que a Delegacia de Homicídios (DH) está investigando para entender as circunstâncias. O disparo, de alta energia cinética (fuzil), foi feito de longa distância, e entrou pela região escapular esquerda (costas), saindo pela região clavicular (frente).
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A versão inicial contada por testemunhas era de que ela havia sido ferida por uma bala perdida dentro de casa. No chamado exame de perícia de local, peritos da Delegacia de Homicídios (DH) descobriram que o corpo da Gabrielle “foi transportado até o local” onde foi encontrado na calçada da Rua Doutor Luís Gaudie Ley, altura do número 39, um dos acessos ao Morro da Chatuba, no Complexo da Penha. Para os investigadores, isso indica que ela foi atingida em outro local.
No último dia 23, policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) realizaram uma ação na Vila Cruzeiro e, após quase 12 horas de confrontos, 23 pessoas morreram.


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A Polícia Militar afirma ter participado de vários confrontos e assumiu dez dessas mortes como decorrentes de invervenção policial. Foram apreendidos 14 fuzis, quatro pistolas e granadas na operação.
Ao longo daquele dia, moradores resgataram corpos de mortos e feridos na mata no alto da comunidade, onde aconteceram os confrontos mais intensos. Foi lá, por exemplo, que o perito da Polícia Civil perito da Polícia Civil Sergio Silva do Rosário acabou ferido no olho.
Nessa mesma mata Karla Karoline da Silva Rua, de 18 anos, foi ferida por um tiro de pistola no ombro. A jovem paraense disse que trabalha como doceira e estava protestando no local pela morte de seu irmão, Carlos Alexandre de Oliveira Rua, também oriundo do Pará e integrante da facção criminosa que domina a região.
Nas redes sociais circularam fotos que seriam o momento do socorro prestado a Gabrielle. Homens aparecem num carro prata levando seu corpo até a rua onde ele foi encontrado, no início da manhã. Até agora não é possível precisar o local exato em que ela foi atingida pelo tiro de fuzil. No exame cadavérico os legista afirma que a vítima tinha acabado de fazer uma refeição quando foi ferida, em virtude da grande quantidade de restos alimentares em fase inicial de digestão.
Em outra imagem que rodou grupos de Whatsapp, Gabrielle aparece com um radiotransmissor pendurado por uma alça. Nenhuma arma aparece na cena. A família nega que ela tivesse envolvimento com o tráfico. “Como ela tinha três salões de beleza, ela usava esse radinho para se comunicar com as outras cabeleireiras”, diz a prima de Gabrielle, Monique Ferreira da Cunha.
