MPAL denuncia ex-professor acusado de injúria racial contra funcionário de shopping em Maceió
Caso aconteceu no final do ano passado; homem ameaçou e xingou funcionário de loja pelo fato de ele ser negro
O Ministério Público Estadual (MPAL), por meio da promotora Amélia Adriana de Carvalho, ofereceu denúncia contra o ex-professor Lauro Farias Júnior, acusado da prática de injúria racial, perseguição e ameaça contra o funcionário de uma loja situada em um shopping da capital. O MP requisitou à Justiça que o denunciado seja intimado para depor em juízo, assim como as testemunhas, que são colegas de trabalho da vítima e o gerente do centro de compras.
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De acordo com a denúncia, a materialidade e a autoria do crime estão configuradas através dos relatos das testemunhas e da vítima, tendo em vista que, em depoimento à autoridade policial na fase do inquérito, o ex-professor negou a prática do crime.
O MP solicitou à Justiça a instauração de uma Ação Penal contra Lauro Farias Júnior para aplicação das penas em razão do crime praticado. Conforme relatado pela vítima Luís Felipe Ferreira Mesquita, de 27 anos, no dia 18 de novembro de 2021, o ex-professor estava sentado no café que fica em frente à loja onde trabalhava Luís Felipe e começou a fazer gestos imitando um macaco, tesoura, faca, e de repulsa. Tais atitudes teriam se repetido por quatro meses, tendo em vista que o autor era frequentador assíduo do shopping.
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Dois dias antes da denúncia, em 16 de novembro, o autor teria ido até a vítima, puxado o cabelo dele e falado que "se tivesse fósforo, tacaria fogo em você". No dia 18 de novembro, após mais uma provocação, a vítima jogou um copo de suco no autor, ocasião em que a Polícia Militar foi chamada e compareceu ao local. A vítima declara que o autor foi diretamente à sua pessoa dizer "e aí, macaco? E aí, neguinho?". A vítima informou que levou a situação a seus superiores diversas vezes, mas providências não foram tomadas.


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Diante da denúncia ofertada pelo MP, Luís Felipe se disse aliviado e com a sensação de que, finalmente, começou a ser ouvido. "Estou aliviado porque a minha voz começou a ser ouvida, graças a Deus. Eu sei que não é o fim, mas um começo, porém, o importante é não desistir", afirmou a vítima dos crimes.
Felipe conta que, depois do ocorrido, só conseguiu trabalhar mais uma semana na loja do shopping, pois se sentia acuado, passou a ter crises de medo e pânico. Hoje, ele encontra-se afastado do estabelecimento e em busca de ajuda psicológica.
"Foram quatro meses de perseguição e ameaça. Não tenho mais condições de voltar a trabalhar lá. Logo que aconteceu, eu busquei ajuda psicológica, mas por questões financeiras, precisei suspender a terapia. Agora estou procurando ajuda novamente", pontuou Felipe.

