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Viktor Orbán reivindica vitória nas eleições legislativas da Hungria; oposição reconhece derrota

Pesquisas vinham apontando uma disputa acirrada, mas com 80% das urnas apuradas, o Fidesz, do atual premiê, garantiu larga vantagem sobre os rivais

O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, reivindicou a vitória nas eleições legislativas, neste domingo (8), após a divulgação de resultados parciais que asseguraram uma cômoda maioria no Parlamento.

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A apuração parcial dos votos mostravam que o Fidesz, partido nacionalista-conservador do premiê, já despontava com forte liderança frente a coalizão formada por seus rivais. O principal oponente, Peter Marki-Zay, reconheceu a derrota.

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As votações se encerraram às 19h (horário local, 16h em Brasília) e, com 80% dos votos apurados, o Fidesz de Orbán controlava 135 assentos no Parlamento – enquanto a coalizão opositora tinha 57 dos assentos.

A vitória do Fidesz abre caminho para um quarto mandato consecutivo de Orbán a frente do governo húngaro. Orbán também foi premiê uma primeira vez entre 1998 e 2002.

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As eleições legislativas – a Hungria é uma República Parlamentarista – decidem os novos (ou antigos) ocupantes dos 199 assentos de seu Parlamento, são eles que escolhem o premiê.

Pesquisas vinham apontando uma disputa acirrada entre o Fidesz, partido do premiê Orbán, e a coalizão que tentava pôr fim a seus 12 anos de poder.

As pesquisas de opinião previam uma disputa acirrada, com uma pequena vantagem – de 3 a 5 pontos – para o partido conservador Fidesz.

12 anos de Orbán

O premiê Orbán é considerado um dos governantes mais polêmicos da Europa e manteve, por 12 anos, um governo autocrático. Ele é o chefe de governo mais antigo da União Europeia.

A coalizão opositora promete derrotar o "autoritário Orbán", e acabar com o que ele chama de "transformação iliberal", iniciada em 2010, com vários ataques à democracia.

A Hungria é um país de de 9,7 milhões de habitantes, sem acesso ao mar, localizado no centro da Europa. Faz fronteira, entre outros, com a Áustria, Eslováquia e Ucrânia.

Oposição unida

A oposição a Orbán vem liderada por Peter Marki-Zay, conservador e prefeito de Hódmezovásárhely – cidade de 50 mil habitantes no sul do país.

Marki-Zay teve a difícil tarefa de reunir o apoio de seis partidos bastante diferentes entre si – com representantes da direita, social-democratas e ecologistas – para poder enfrentar o poderoso Fidesz.

Sob o slogan político "qualquer um menos Orbán", os partidos prometeram deixar de lado as diferenças ideológicas e apoiar um único candidato, neste caso, Marki-Zay.

Fazem parte da coalizão:

  • Coligação Democrática (DK), partido social-liberal
  • Jobbik, partido nacionalista radical
  • Políticas Podem Ser Diferentes (LMP), partido verde
  • Partido Socialista Húngaro (MSZP)
  • Momentum, partido liberal
  • Párbeszéd, partido verde

Forte polarização

Andras Biro-Nagy, analista político e diretor do think tank de Budapeste Policy Solutions, disse em entrevista à agência Associated Press que a Hungria vive uma forte polarização.

"Esta é uma sociedade altamente polarizada, na qual parece que Viktor Orbán pode passar as mensagens que quiser. Pelo menos para seus próprios eleitores", afirmou o analista.

Ele disse que o chefe do governo húngaro tem usado de um discurso de "paz e segurança" para se aproximar da base de eleitores do Fidesz, em um cenário de incertezas sobre a guerra no país vizinho.

Biro-Nagy acredita que a oposição tentava transformar as eleições deste ano em "um referendo sobre o pertencimento da Hungria ao Ocidente ou Oriente".

"A oposição húngara tenta enquadrar toda a eleição como a escolha entre Oriente x Ocidente e tenta culpar Viktor Orbán por seus 12 anos de amizade com Putin", explicou.

Referendo anti-LGBTQIA+

Ao mesmo tempo em que decidem o futuro do Parlamento húngaro, os eleitores também responderam a um referendo vinculado à lei anti-LGBTQIA+.

Totalmente ofuscada nos debates, a lei equipara pedofilia e homossexualidade, proíbe a 'demonstração da homossexualidade' para menores de 18 anos e tem causado forte reação da UE.

Além disso, as eleições húngaras foram, pela primeira vez, acompanhadas por mais de 200 observadores internacionais em um contexto de temor de fraude.

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