Programa de desaparecidos em Alagoas aponta que há mais de 1.200 casos sob investigação no Estado
Dados são do Programa de Localização e Identificação de Desaparecidos (PLID), coordenado em Alagoas pelo MPE
O Estado de Alagoas possui, atualmente, mais de 1.200 casos de desaparecimentos sob investigação das autoridades policiais e do Ministério Público de Alagoas (MP/AL), segundo dados do Programa de Localização e Identificação de Desaparecidos (PLID), coordenado em Alagoas pelo órgão ministerial.
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De acordo com o Ministério Público do Estado, são exatos 1.231 desaparecimentos sob investigação, mas no total, o número de casos de pessoas desaparecidas é maior. Em dados consultados pela Gazetaweb no PLID em 7 de março de 2022, o número de casos totalizava 1.423. No entanto, conforme divulgação na sexta-feira (1) pelo órgão, o levantamento do próprio PLID aponta para 1.546 no Estado.
Além desses números, o órgão diz ainda que após a inserção do programa em Alagoas, 312 pessoas já foram encontradas - vivas e mortas.
No último dia 7 de março, familiares de pessoas desaparecidas estiveram em uma audiência pública realizada na Câmara de Vereadores de Maceió, que abordou os desaparecimentos no Estado e, em especial, a problemática dos casos não solucionados.


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Um dos relatos na Casa foi de José Aparecido. Ele contou naquele dia que o filho, Edvaldo Sabino, está desaparecido há mais de três anos. Ele chorou no momento em que relembrava como o sumiço ocorreu e a busca pelo paradeiro do filho que, à época, tinha 23 anos.
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"Ouvi aqui um relato de uma mãe que encontrou o corpo do filho após nove dias de desaparecido. E o meu que há três anos e sete meses não o encontro? Não sei se está vivo ou morto. Isso é uma angústia muito grande. Quando teve a campanha do IML para cadastro de familiares fui o primeiro da fila. Até hoje espero notícia do meu filho. Tinha 23 anos e foi a uma festa. Menino trabalhador. Mas que festa foi essa que até hoje não voltou? Nem ele, nem moto, e nem nada desde de 3 de agosto de 2018. Peço ajuda da sociedade para saber onde está pelo menos os restos mortais para ter o prazer de, pelo menos, enterrar o meu filho", desabafou Aparecido.
A advogada Amanda Fireman, voluntária do PLID desde o início do programa, falou sobre os números reais do quadro de desaparecimento em Alagoas, contabilizados pelo Sinalid/PLID, e pediu, em solenidade sobre o assunto, que os órgãos não medissem esforços.
“É preciso que nos juntemos para encontrar uma forma de dinamizar mais os casos. Há famílias que nos procuram todos os dias porque querem saber dos filhos. É necessário termos um parecer. Elas não podem ficar sem respostas, mesmo que, infelizmente, nem sempre estejam vivos, mas é um direito saber onde estão, para amenizar a dor”, explicou.

