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Anvisa proíbe venda de pomada capilar suspeita de queimaduras em olhos

Medida foi tomada com notificação de casos de problemas oculares após o uso do produto; agência abriu dossiê de investigação do caso

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu, nesta quarta-feira (23/3), a comercialização, distribuição, fabricação, propaganda e uso da pomada modeladora de cabelos Ômegafix, fabricada por Cape Indústria de Cosméticos Ltda. A medida foi tomada após denúncias de lesões nos olhos de clientes, parecidas com queimaduras, provocadas pelo uso do produto. O artigo é bastante popular e costuma ser usado para trançar fios.

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Conforme a agência reguladora, também foi determinado o recolhimento da pomada. Segundo o órgão, como o produto não está regularizado como cosmético junto à Agência, não é possível aferir a segurança de uso da pomada.

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A Anvisa abriu investigação sobre o caso, após relatos de casos sobre problemas oculares sofridos por usuários após o uso da pomada, como queimação nos olhos e cegueira temporária.

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Segundo a Anvisa, o item se encaixa na definição de produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes regulados pela Resolução RDC nº 7, de 2015. Porém, de acordo como o órgão, a Ômegafix não está regularizada.

Ao Metrópoles, a entidade informou que não foi encontrado um processo de legalização na Gerência de Cosméticos da Anvisa. Informou também que qualquer queixa sobre o item deve ser registrada no site da instituição.

Denúncias

Uma das denúncias foi feita por Josiane Reis de Souza, de 41 anos, que relatou em redes sociais um acidente envolvendo a pomada. Segundo sua a nora, Mirella Reis, a manicure utilizou o produto em 18 de março e, no dia seguinte, após mergulhar em uma piscina, começou “a ver tudo esbranquiçado”.

Apesar do susto, Josiane não procurou ajuda médica no momento do acidente. No dia 20 de março, Mirella relata que a sogra acordou sem conseguir enxergar.

A nora contou ainda que profissional que fez o cabelo da sogra sabia que um dia após o procedimento ela iria sair e em nenhum momento foi informada de cuidados e perigos que o produto poderia causar.

O que diz o fabricante

Em resposta ao Metrópoles, a marca Ômegafix afirmou que todas as informações sobre o uso adequado da pomada se encontram nos rótulos de embalagem. “Lamentamos o ocorrido e com respeito aos nossos clientes e à Anvisa, os nossos produtos que já tinham informações de cuidado serão reforçadas e atualizadas”, informou em nota.

Segundo eles, as pomadas fixadoras são feitas à base de água e, por isso, podem se desfazer. O texto ainda explica que o produto possui um número de processo junto à Anvisa para a efetiva regulamentação, e que isso não impede a distribuição do artigo.

Médicos apontam falta de informação e riscos em geral

A superfície dos olhos é sensível e, apesar de ter uma capacidade regenerativa alta, os médicos alertam para os cuidados que devem ser tomados na aplicação e manuseio de determinados produtos com compostos químicos, sob pena de sequela eterna para a visão. Em relação aos capilares, não é diferente.

O Metrópoles ouviu especialistas da área e eles enfatizaram a presença de substâncias prejudiciais ao olho, como derivados do álcool, na composição de produtos para cabelo, em geral. Isso, por si só, já é um sinal de alerta. “Álcool e olho não combinam de jeito nenhum”, afirma o oftalmologista Eduardo Nery, de Goiânia.

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