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Médicos denunciam falta de leite para bebês de mães soropositivas que deviam ser fornecidos pelo Governo de Alagoas

Em vez de receberem o leite pela Sesau, unidades de saúde têm driblado desabastecimento com doações

O leite utilizado por bebês de mães com HIV e que não podem amamentar está em falta em unidades de saúde que fazem a entrega do insumo, como o Pam Salgadinho e o Hospital Hélvio Alto. O alimento está com abastecimento irregular desde dezembro de 2021. E no mês de março de 2022, os dois locais ainda não receberam o material, de responsabilidade do Governo do Estado de Alagoas. Por causa disso, os próprios médicos denunciaram a situação para a Defensoria Pública.

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No Pam Salgadinho, por exemplo, de acordo com o coordenador do Bloco I, Fábio Mota, o local está completamente desabastecido do leite há 16 dias. Mas é desde dezembro que a entrega tem ocorrido de forma irregular. Ele conta ainda que desde o início de março, unidade não recebe nem uma lata de leite. Segundo o coordenador, no mês de janeiro, em vez de receber o material que é de responsabilidade da Secretaria de Saúde do Governo de Alagoas, por meio licitatório, a unidade conseguiu por meio de doações. Mesmo assim, as doações têm sido insuficiente e só têm atendido a demanda de bebês com até seis meses de idade.

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'Estamos desabastecidos de leite, de forma irregular, desde dezembro de 2021. Recebemos em janeiro uma doação que supriu um pouco a nossa carência, mas foi em uma quantidade insuficiente. Foi uma doação, não foi adquirido de forma licitatória pelo Estado e desde o início de março não temos mais leites disponíveis para a entrega. Passamos 16 dias de março sem nenhum leite disponível", diz Fabio Mota.

Uma lata de leite destinada às crianças, cujas mães são soropositivas, custam, em média, R$ 25. Entretanto, segundo Mota, o bebê consome por mês de 10 a 12 latas do produto. "Portanto fica um valor bem alto para uma despesa regular mensal".

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"É um insumo importante para a alimentação do bebê, em específico do recém-nascido, que não pode amamentar e também não tem condição de receber outro tipo de alimento. Então é de fundamental importância para a alimentação do bebê e para a prevenção ao HIV", explica.

Maria Betânia é mãe de uma mulher soropositiva, que teve bebê recentemente. À TV Gazeta, ela afirma que a família não tem condições de comprar o tipo de alimento e, por isso, depende do serviço público. Assim que chegou a remessa emergencial, ela correu ao hospital para garantir a alimentação do neto. "Eu não sou aposentada. As crianças precisam e a gente não tem condições de comprar", relata.

No Hospital Hélvio Alto a situação não é diferente e foi denunciada à Defensoria Pública pela infectologista Mardjane Melo e outros médicos da unidade de saúde. "Além do risco da transmissão do HIV pela amamentação em havendo o aleitamento de uma mãe portadora do HIV, existe um risco nutricional, envolvendo uma criança que já foi exposta a uma possível infecção do HIV. A falta do leite acarreta na vulnerabilidade nutricional dessa criança e na possibilidade da perda de vínculo dessa família com o serviço. E de repente uma criança que vier contrair o HIV pode retornar para a gente num estágio muito avançado e, inclusive, podendo evoluir a óbito por não ter sido diagnosticada e tratada a tempo", expõe a infectologista.

Ela relata ainda que na quarta-feira (16) atendeu duas crianças, com duas mães diferentes que estavam dependendo de doação para alimentar os bebês. "Ontem me deparei com a situação de duas crianças, de duas mães, relatando que as crianças estavam sendo alimentadas apenas com aquilo que recebiam de doação. Isso é absolutamente inadmissível", conta.

A infectologista informou que mantém a defensoria atualizada, mas ontem acionou o núcleo de Direitos Humanos do órgão. A médica também orientou as duas mães, com relatórios individuais, para que procurem as defensorias dos municípios onde moram, afim de que as situações sejam sanadas de forma imediata. Segundo a profissional, havia um risco nutricional e de vida para essas crianças.

A Defensoria Pública cobrou para que o Estado abasteça imediatamente as unidades de saúde com o leite destinado aos bebês de mães com HIV e deu um prazo de cinco dias para que o governo estadual regularize a situação. Caso não haja resposta nesse prazo, a defensoria disse à TV Gazeta que vai ingressar com um novo pedido de bloqueio das contas do Estado para garantir a alimentação adequada dos bebês o quanto antes.

À TV Gazeta, a Sesau informou que realizou a compra dos leites destinados às crianças e que nesta sexta-feira (17) o abastecimento será normalizado. No entanto, não respondeu ao questionamento sobre o que motivou o desabastecimento.

*Com TV Gazeta

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