Com direção de alagoano, filme "Transversais" estreia hoje na Netflix
Para Émerson Maranhão, filme chega ao streaming para potencializar o protagonismo das pessoas trans
O longa-metragem “Transversais'', do cineasta e jornalista alagoano Émerson Maranhão, estreia, nesta terça-feira (15), na Netflix. O documentário chega ao streaming após uma temporada de sucesso no circuito comercial e em festivais de cinema nacionais e internacionais.
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Produzido por Allan Deberton (“Pacarrete”), o filme traz depoimentos de quatro pessoas trans que resgataram suas histórias, seus processos de autodescoberta, de trânsitos e jornadas. Além disso, uma mulher cisgênero também participa ao contar sua luta contra a transfobia depois de se descobrir mãe de uma adolescente trans.
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Após circular nos festivais e entrar em cartaz nos cinemas no mês de fevereiro, o filme chega ao streaming para dar mais visibilidade à comunidade trans, de acordo com o diretor alagoano.
Natural de Arapiraca, em Alagoas, mas radicado no Ceará desde o fim da década de 1990, Émerson Maranhão diz acreditar que Transversais é importante pela visibilidade que dá à causa da transgeneridade.


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“Dar voz e o lugar de protagonista para pessoas trans é um trabalho de formiguinha e essa é a nossa missão. Com a ida do filme para a Netflix, nós conseguimos potencializar ainda mais esse protagonismo”, diz o diretor.
De acordo com o cineasta, toda a equipe está feliz com a chegada do longa na plataforma de streaming. Além disso, o sentimento de missão cumprida é sentido desde as estreias nos cinemas brasileiros.
“Conseguimos perceber que as intenções do filme foram cumpridas ao assistir as sessões de pré-estreia nas cidades em que o filme percorreu e ver as feições do público, ao ver as boas críticas recebidas. Eu e toda a equipe estamos empolgados com os resultados que a chegada ao streaming trará”, afirma Émerson.
HISTÓRIAS REAIS NA TELA
Entre as pessoas trans que participam do filme estão Samilla Marques, uma funcionária pública; Érikah Alcântara, uma professora; Caio José, um enfermeiro; e o acadêmico Kaio Lemos. Eles e elas passaram por um delicado processo de autoaceitação até compreenderem a sua subjetividade.

A jornalista Mara Beatriz, mulher cisgênero, enfrentou a transfobia de perto e refez sua vida ao tomar conhecimento que era mãe de uma adolescente transgênero. Hoje, é uma das mais ativas militantes do grupo Mães pela Diversidade, no Ceará.
Além de ser muito bem recebido em sua estreia na 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, o longa do cineasta alagoano também recebeu a nota máxima de Denis Le Senechal Klimiuc, do Cinema com Rapadura.
O crítico Chico Fireman recomendou o longa e escreveu que “[o] radicalismo de Transversais está em como seu tom é de entendimento numa época de intolerância. [E o filme] deveria ser matéria obrigatória em qualquer escola.”
Uma das personagens retratadas no filme, Samilla Marques Aires diz que Transversais é uma obra que rompe paradigmas. “Para mim, estar em Transversais é um motivo de orgulho. Fico muito feliz de compartilhar minha história, para que as pessoas conheçam nossas dificuldades e, mais que isso, nossas superações. Para mim, este filme é sobre superação. É claro que tem que ter muita coragem, nem todo mundo gosta de expor suas dores. Mas, de certa forma, me alivia fazê-lo, num momento em que pode ajudar outras pessoas."
