JHC acusa Governo de AL de estelionato após manobra para despistar STF na outorga da BRK
Prefeito diz que a capital não sairá prejudicada e continuará na busca pelo valor justo da concessão do serviço

Thiago Gomes e Clariza Santos
20/02/2022 às 23:30 • Atualizada em 20/02/2022 às 23:46 - há XX semanas
Siga a GazetaWeb no Google
O prefeito de Maceió, JHC (PSB), acusou o Governo de Alagoas de praticar estelionato ao tentar vender um serviço e se apropriar do dinheiro que, por lei, não pertence ao Executivo Estadual. A fala se deu durante o lançamento de um programa de Wi-Fi gratuito nos bairros, cujo evento ocorreu na manhã desta segunda-feira (21), no Jacintinho.
Tudo em um só lugar.
Receba notícias da GazetaWeb no seu WhatsApp e fique por dentro de tudo!

Ele se refere ao processo de concessão do serviço de água e esgoto na Região Metropolitana, que se transformou em uma guerra judicial e numa disputa política ferrenha. O gestor municipal diz que o governador fez uma manobra para despistar o Supremo Tribunal Federal (STF), que analisa o caso da outorga da BRK Ambiental.
As declarações de JHC foram dadas quando questionado pela Gazeta acerca dos fatos mais recentes envolvendo este assunto. Na semana passada, o Estado de Alagoas promoveu uma reunião extraordinária da Assembleia da Região Metropolitana para discutir e aprovar o planejamento da partilha dos recursos da venda da Casal [Companhia de Saneamento de Alagoas].
Para o prefeito, o principal prejudicado nestas ações mais recentes do Governo de Alagoas é o Município de Maceió. “Nos blocos B e C, 100% das outorgas foram para os municípios, conforme cronograma estipulado pelo Estado de Alagoas. Isto é constitucional. A titularidade do saneamento pertence ao Município. Então, o Governo do Estado estava vendendo o que não era dele. Isto é um estelionato. A partir do momento que você vende e tem alguma receita com isso, o dinheiro pertence ao Município, e não, aos cofres do Governo do Estado. Que isso fique bem claro”, avalia.


Polícia investiga cemitério clandestino em Coruripe

Áudios revelam ordem para PTK se infiltrar na política de Maceió

Polícia prende suspeitos de integrar o Comando Vermelho em Alagoas e no Rio de Janeiro

Renan Filho anuncia inauguração de duplicação de rodovia entre Arapiraca e São Sebastião
Segundo o gestor, os municípios têm poucos ativos, e esta é uma das vertentes que a prefeitura pode, por exemplo, oferecer para poder levantar receita. Ele diz que 80% dos usuários da Região Metropolitana estão em Maceió, justificando a premissa de que a maior fatia do valor da outorga deveria ser destinada, seguindo o critério da proporcionalidade, à capital.
“O que está acontecendo é um verdadeiro absurdo. A Arsal, que deveria estar fiscalizando, se omite e não fiscaliza e me parece que advoga, como o Governo de Alagoas, para esta concessionária, mostrando o interesse não republicano”, critica.
Artigos Relacionados
JHC acredita que, contratualmente, o Estado e a BRK estariam desrespeitando as cláusulas do contrato do serviço, que prevê um tempo para concessão de reajuste na tarifa. “Mesmo assim, conseguem autorizar o aumento e penalizam, mais uma vez, a nossa população. Como prefeito, não vou me omitir, sempre mantive uma postura muito firme neste sentido, discutindo de maneira institucional e, claro, contamos, com o presidente da Câmara, Arthur Lira, que, de forma muito clara e contundente, saiu em defesa do Município de Maceió”, destacou.
Ele também citou a vinda de uma comissão externa a Alagoas, para investigar o processo de concessão do serviço e o imbróglio jurídico da divisão da outorga.
Acerca da assembleia convocada pelo Governo do Estado, o prefeito avalia como uma clara manobra para desobedecer ao Supremo Tribunal Federal, o que se configuraria, na opinião dele, numa postura grave.
“Alagoas não deveria estar figurando com tratativas desta maneira, mas como um Estado que respeitaria a lei, sobretudo com o novo Marco do Saneamento. Então, isso é um péssimo exemplo para o Brasil. Já houve, lá trás, uma destinação ilegal destes recursos para as contas do Estado, porque era para ter sido discutida no âmbito da assembleia, cuja formação foi declarada inconstitucional pelo STF”, completa.
Para ele, a atitude do governador de Alagoas reforça o total desconhecimento sobre as questões envolvendo a concessão, cuja titularidade é dos municípios. “A assembleia não tem embasamento jurídico, nem legal e nem fundamentação técnica para sustentar a situação. Acreditamos que Maceió não sairá prejudicada e garantirá estes recursos, que são fundamentais para o desenvolvimento econômico da cidade".
PROGRAMA DE WI-FI GRATUITO
O prefeito de Maceió, JHC, lançou, nesta segunda-feira, o Programa Maceió Tá ON – Wi-Fi Gratuito. A ação aconteceu no Conjunto José da Silva Peixoto, no Jacintinho, em frente à Escola Municipal Arnon de Mello. Serão 140 pontos espalhados por todos os bairros da capital.
Os pontos de acesso ao Wi-Fi grátis estão sendo implementados com recursos garantidos em Brasília. O investimento de emenda parlamentar é de R$ 3,5 milhões.
O programa se consolida como mais um passo rumo ao projeto maior de promoção da inclusão digital na capital, integrando o Programa Wi-Fi Brasil, ofertando conectividade a comunidades espalhadas por toda a cidade.
Com esta conexão, são ampliadas as oportunidades de informação, educação, uso de serviços públicos, entretenimento, dentre outros benefícios. Esta é uma contribuição que está inserida em um grande projeto para democratizar o acesso à rede e fazer de Maceió uma cidade mais inclusiva digitalmente.
