Valieva cai, fica sem medalha e chora nas Olimpíadas de Inverno
Adolescente de 15 anos enfrenta investigação por doping
Era gigante o peso sobre os ombros de Kamila Valieva. Pressão, expectativa, todos os holofotes sobre uma adolescente de 15 anos que enfrenta uma investigação por doping na estreia olímpica. A Miss Perfeita sucumbiu. Errou, e muito, na final do individual geral feminino da patinação artística. Caiu duas vezes e terminou em quarto, incrédula, desolada. Pode chamar de ironia do destino, talvez de justiça olímpica, mas as falhas e o choro de Valieva permitem que a prova tenha pódio nas Olimpíadas de Inverno de Pequim.
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Sorte e também muito mérito de Anna Shcherbakova, outra atleta do Comitê Olímpico Russo, que se sagrou campeã olímpica (255.95) e sairá da capital chinesa com o ouro nas mãos. A compatriota Alexandra Trusova, dona da nota mais alta do programa livre (177.13), conquistou a prata (251.73). A japonesa Kaori Sakamoto ficou com o bronze (233.13).
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Normalmente apenas as 24 melhores atletas do programa curto avançam à disputa do programa livre. Mas a situação de Valieva, liberada pela Corte Arbitral do Esporte (CAS) sem julgamento do mérito do doping, às vésperas da disputa, flexibilizou as regras do jogo.
O COI pediu para que 25 atletas avançassem caso Valieva estivesse entre as primeiras - ela liderou, com folgas. Assim como a russa não foi privada da chance de competir, caso depois se provasse inocente, a finlandesa Jenni Saarinen deveria ter a oportunidade de disputar a final em caso de futura desclassificação da russa.


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Saarinen, como a 25ª ranqueada, foi a primeira a se apresentar. Uma a uma as competidoras foram riscando o gelo, girando e saltando em busca da performance de suas vidas enquanto todos fora do rinque controlavam a ansiedade esperando a apresentação de japonesas e russas, reais candidatas ao hipotético pódio.
Valieva cai e desmorona
No último bloco, foi notão atrás de notão. A sul-coreana Young You brilhou interpretando a trilha de "Les Miserables" (213.09); a japonesa Wakaba Higuchi, apesar de uma queda em um triple toe, arrepiou o público com "Rei Leão" (214.44).
Alexandra Trusova, do ROC, terminou o programa curto em quarto e apostou todas as fichas no livre. Indicou que executaria cinco saltos quádruplos, dois a mais do que Valieva, durante o tema de "Cruela". Conseguiu finalizar todos, apesar de ter dado um passinho a mais na aterrissagem de dois deles. Cravou impressionantes 177.13, que seriam a maior nota do programa livre, e chegou a 251.73 na soma, colocando-se definitivamente na briga por medalhas.
A japonesa Kaori Sakamoto, mesmo com expressivos 233.13, precisou secar muito as russas para seguir sonhando. Anna Scherbakova, penúltima a se apresentar, fez o que lhe cabia sem dar margem. Embalada por uma combinação com Ruska, The Master and Margarita e Lacrimosa, carregou no drama numa impecável apresentação técnica. Colocou o sarrafo ainda mais no alto e assumiu a ponta com 255.95 (175.75 no livre).
Valieva finalmente entrou em ação. Mas toda a expectativa se reverteu em frustração. A patinadora de 15 anos somou erro atrás de erro. Sofreu duas quedas, se apoiou tocando o gelo. A cada falha parecia mais abalada, fragilizada, desconcertada. Terminou a apresentação ciente de que nem um milagre seria capaz de colocá-la no topo do pódio, talvez nem no lugar mais baixo. Estava desolada. Chorava antes mesmo de saber a pontuação final.
A nota 141.93 foi apenas a quinta do programa livre. A soma de 224.09 a deixava em quarto lugar geral. A decepção era geral. Só Sakamoto, que assegurou o bronze, comemorava. Mesmo Scherbakova, campeã, era discreta.
Ironicamente, a ausência de Valieva permitia a realização da cerimônia da premiação, o que o COI não autorizaria caso a estrela fosse uma das três primeiras. Mas as compatriotas, solidárias, pouco comemoraram. Foi um anticlímax.
