Família de idosa diz que estudante de medicina não acionou médico e que profissional só apareceu quando paciente gritou de dor
O caso ocorreu na madrugada de terça-feira (8) e ganhou repercussão nacional depois que interna fez publicações nas redes sociais, ironizando a situação

Mariane Rodrigues*
10/02/2022 às 8:39 • Atualizada em 10/02/2022 às 8:51 - há XX semanas
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A família da idosa Lenilda Silva de Nunes de 62 anos, que teve a morte ironizada por uma estudante de medicina em Marechal Deodoro, afirmou que a mulher foi atendida primeiramente pela estagiária. Ainda de acordo com parentes, a estudante não acionou o médico que a supervisionava, e que ele só apareceu depois que escutou o grito da idosa, em decorrência da dor que sentia. O caso ocorreu na madrugada de terça-feira (8) e ganhou repercussão nacional depois que a interna fez publicações nas redes sociais, ironizando a situação e reclamando que o atendimento interrompeu o sono dela.
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De acordo com os parentes, Lenilda da Silva chegou na madrugada de terça sentindo fortes dores no peito, falta de ar, e chegou a vomitar na unidade de saúde. Ela teria passado pelo setor de triagem, mas, em meio à gravidade do quadro de saúde, em vez de ser atendida imediatamente pelo médico, a idosa ainda aguardou cerca de 20 minutos.
Ainda segundo uma sobrinha e uma nora da idosa, depois da espera, a mulher não foi atendida inicialmente por um médico e sim pela estudante. Ainda assim, segundo os familiares, a estagiária não teria acionado o médico e o profissional só apareceu porque escutou o grito de Lenilda.
"O hospital onde não tem ninguém aguardando, somente minha tia que estava passando mal, eu não entendi porque 20 minutos. Isso firma mais o que ela [estudante] mesma disse: ela estava dormindo. Então ela foi fazer mais o quê para atender minha tia? E no momento que ela entra, não pergunta nada, não olha para a paciente, sabendo que a paciente está passando mal, já devia ter acionado o médico, não devia ter feito pergunta nenhuma, uma vez que teve que repetir tudo pra o médico e que o responsável pelo plantão era um médico", questiona a sobrinha da vítima, Malba Félix, em entrevista à TV Pajuçara.


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A nora de Lenilda, Aline Santos, foi ao hospital para socorrer a sogra. Ela também reafirma que o tempo de espera foi de 20 minutos, mesmo sendo Lenilda a única paciente naquele momento. Ela reafirma também que a estudante permaneceu calada, mesmo diante dos gritos da idosa.
"Ela não esboçou nenhuma reação, ela não teve nenhuma empatia, permaneceu calada e eu falando e repetindo que ela [Lenilda] estava com dor e minha sogra gritando. E ligeiramente, quando olhei para ela, percebi que ela arrumou o cabelo e eu falei que minha sogra estava com dor e gritando. Depois desse grito que minha sogra deu, o médico abriu a porta e já entrou perguntando o que estava acontecendo e eu repeti tudo o que havia dito para a estudante de medicina. Logo em seguida, ele pediu para que a gente levasse ela imediatamente para outra sala. Como ela estava gritando e no momento da dor ela chegou a se obrar, eu pedi para limpar ela e ele falou que eu não me preocupasse e pediu pra eu me retirar", relata a nora de Lenilda, Aline Santos.
A família disse que vai entrar com uma ação indenizatória contra a estudante de medicina, que tem 20 anos. Os parentes também querem uma retratação pública. "A família está muito triste e abalada", acrescenta a sobrinha, Malba Félix.
A Secretaria Municipal de Marechal Deodoro afirmou à TV Pajuçara que a estagiária esteve supervisionada por um médico profissional em todo o período do atendimento. A Prefeitura de Marechal desligou a estudante do estágio. Já a faculdade onde ela estuda o 9º período de medicina - Cesmac - a reprovou do estágio e a afastou do curso por seis meses. Agora o Conselho de Medicina apura o caso.
Entenda o caso
Em publicação nas redes sociais, a estudante de medicina diz que, “faltando 10 min para minha hora de dormir, chega mulher infartando e com edema agudo de pulmão, e agora já passou 1:30 da minha hora de dormir, tô puta”. Logo depois, ela postou uma foto com sinal de beleza e a seguinte legenda: "atualizações: a mulher morreu e eu não dormi”. Na primeira imagem postada, a estudante expõe ainda o nome da paciente e os procedimentos que foram realizados. Em uma terceira postagem, divulgada pela TV Gazeta, a jovem mostra outra imagem do prontuário digital, aponta com a mãe e diz: não seja essa pessoa.
*Informações da TV Pajuçara