Demitido por suposto gesto nazista, Adrilles Jorge vira alvo do MP
Representação solicita abertura de processo criminal contra o comentarista da Jovem Pan e retirada do programa de todas as plataformas
Após ter sido demitido da Jovem Pan, o comentarista Adrilles Jorge virou alvo de uma denúncia no Ministério Público de São Paulo (MPSP) pelo gesto que se assemelha ao do nazismo feito durante a exibição de um programa na emissora.
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A representação solicita a abertura de um processo criminal contra o comunicador e a retirada imediata de todo o conteúdo do programa das plataformas digitais. A peça pede também a reparação formal e financeira para entidades sociais judaicas, o que inclui o grupo de comunicação.
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“[O gesto] foi um suposto ‘tchau’ dito pelo apresentador, mas ocorreu no final de um debate conturbado sobre um caso grave de nazismo. Ele tentou emplacar uma brincadeira maldosa e cruel”, argumentou o ativista de direitos humanos Vini Caetano na representação. O procedimento foi instaurado oficialmente pelo Grupo Especial de Combate a Crimes Raciais e de Inteligência.
Demissão


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Mais cedo, o Grupo Jovem Pan confirmou ao Metrópoles sobre a demissão de Adrilles Jorge após o gesto controverso.
Na terça-feira (8/2), ao fim do programa Opinião, na Jovem Pan News, o ex-BBB fez um gesto que remete à saudação nazista “sieg heil”, realizada pelo ditador alemão Adolf Hitler. O comentarista levantou a mão em riste e logo a abaixou. Em seguida, riu.
Adrilles comentava a demissão de Bruno Aiub, o Monark, do Flow Podcast, por ter defendido a criação de um partido nazista.
“O nazismo matou 6 milhões de judeus, o comunismo matou mais de 100 milhões de pessoas e hoje é visto aqui no Brasil como uma coisa livre, absolutamente liberada, com partidos normalizados”, disse o comentarista, antes de fazer o gesto.
“Estarrecida”, a Confederação Israelita do Brasil (Conib) condenou “o gesto repugnante de saudação nazista feito por Adrilles Jorge em programa da Jovem Pan”.
“O nazismo propaga uma visão de mundo racista, antissemita e totalitária, que causou a morte de 6 milhões de judeus e minorias, como homossexuais, negros, ciganos e outras, e detonou uma guerra mundial catastrófica para a humanidade. Episódios de apologia ao nazismo devem ser combatidos com todo o rigor da lei brasileira e repelidos pela sociedade como um todo”, esclareceu a comunidade, em nota ao Metrópoles.
Em uma rede social, após o caso repercutir negativamente, Adrilles alegou ter apenas se despedido com “um tchau”.
“A insanidade dos canceladores ultrapassou o limite da loucura. Depois de um discurso meu veemente contra qualquer defesa de nazismo, um tchau é interpretado como uma saudação nazista. Nazista é a sanha canceladora que não enxerga o próprio senso assassino do ridículo”, escreveu o comentarista.
Em nota, a Jovem Pan informou repudiar qualquer manifestação em defesa do nazismo e de suas ideias. “Somos veementemente contra a perseguição a qualquer grupo por questões étnicas, religiosas, raciais ou sexuais.”
“No exercício diário de informar e esclarecer nossa audiência, prezamos pelo livre debate de ideias, mas não endossamos qualquer tipo de manifestação que leve ao discurso de ódio e reforce ideias que remetam a um episódio da nossa história que deve ser lembrado como símbolo de um erro da humanidade que não deve jamais ser repetido”, prosseguiu o grupo.
“Nossos comentaristas têm independência para emitir opiniões, respeitando os limites da lei – opiniões estas que não refletem as posições do grupo Jovem Pan”, encerrou.
