Saiba quem é o artista alagoano que vai representar o Brasil na Bienal de Veneza
Jonathas de Andrade foi escolhido por Jacopo Crivelli Visconti, curador da participação nacional na tradicional mostra italiana
Programada para ocorrer entre abril e novembro deste ano, a Bienal de Veneza 2022 tem um alagoano entre os brasileiros confirmados na mais antiga mostra de arte do mundo. O artista Jonathas de Andrade, de 40 anos, nasceu em Maceió e é radicado no Recife, onde desenvolve grande parte dos seus trabalhos.
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Conhecido por obras como a videoinstalação “O Peixe”, que esteve na Bienal de São Paulo de cinco anos atrás, e pelo painel de cartazes “Educação para Adultos”, Andrade foi escolhido por Jacopo Crivelli Visconti, curador da participação nacional na tradicional mostra italiana e também curador geral da última Bienal de São Paulo, recém-encerrada.
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Crivelli Visconti diz que Jonathas busca a autenticidade popular brasileira em seus trabalhos, que também abordam temas como o universo do trabalhador e a identidade do sujeito contemporâneo, por meio de “metáforas que oscilam entre a nostalgia, o erotismo e a crítica histórica e política”, elabora.
A nova edição da mostra em Veneza, adiada de 2020 para o ano que vem, tem organização da italiana Cecilia Alemani e foi batizada “The Milk of Dreams”, ou o leite dos sonhos, remetendo a um livro da escritora e artista surrealista britânica Leonora Carrington, morta há dez anos.


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Para conversar com essa ideia de imaginário, Andrade está concebendo uma instalação inédita, comissionada para a ocasião. “A ideia de representar o Brasil, hoje, seja onde for, é antes de tudo um desafio pela responsabilidade diante do quadro de complexidades cruciais que o país enfrenta”, ele diz, em nota. “Que a arte consiga traduzir o embaraço que é viver nos nossos tempos e que inspire sonhos que permitam desatar esses nós.”

Andrade se consolidou na última década como um dos nomes mais conhecidos de sua geração em trabalhos que retratam e reimaginam a falha de projetos grandiosos e de determinadas estéticas do país, como em “Educação para Adultos”, em que reúne e atualiza a dimensão política e estética de 60 cartazes usados nos anos 1960 por Paulo Freire para a alfabetização de adultos.
Um de seus projetos mais emblema´ticos e´ o conjunto de trabalhos que Andrade reu´ne no “Museu do Homem do Nordeste”, concebido como contraponto ao museu antropolo´gico criado em 1979 por Gilberto Freyre, no Recife.
Enquanto o museu original revisa a histo´ria colonial e a identidade da regia~o a partir de uma reunia~o de artefatos e objetos histo´ricos, Andrade desloca seu olhar para as pessoas, deixando transparecer a maneira como as relac¸o~es de poder e de classe carregam os rastros da histo´ria.
As participac¸o~es brasileiras nas bienais de arte e arquitetura de Veneza ocorrem no pavilha~o brasileiro, construi´do em 1964 nos Giardini, os jardins da Bienal de Veneza, a partir de um projeto de Henrique Mindlin e mantido pelo Ministe´rio das Relac¸o~es Exteriores.
Andrade já teve mostras individuais em museus de Chicago, Nova York, Toronto, Cidade do México e Rio de Janeiro. Suas obras também já integraram a Bienal de Istambul e coletivas no MoMA e no Guggenheim, em Nova York.
Os artistas brasileiros Lenora de Barros, Rosana Paulino, Jaider Esbell, Luiz Roque e Solange Pessoa também foram confirmados na principal mostra da bienal, que terá o alagoano como representante do Brasil e traz uma das maiores participações nacionais no evento nos últimos anos.
