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Médicos alertam sobre impacto da saúde mental no combate ao câncer

No Dia Mundial de Luta Contra o Câncer, webcast com especialistas aborda o efeito dos aspectos psicossociais no enfrentamento da doença

Segundo a Union for International Cancer Control (UICC), organização da qual a Fundação do Câncer do Brasil faz parte, até 2030 as mortes por câncer atingirão cerca de 13 milhões de pessoas no mundo. De acordo com especialistas, mais de um terço desses casos é passível de prevenção e outra parcela pode ser curada se a doença for detectada precocemente. No entanto, nem todos os pacientes têm acesso a estratégias de tratamento adequadas.

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Vencer as falhas na assistência médica, que fazem com que 65% dos óbitos estejam localizados em países menos desenvolvidos, é a bandeira da edição de 2022 do Dia Mundial de Luta Contra o Câncer, celebrado no dia 4 de fevereiro, promovido pela UICC.

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No Brasil, especialistas realizarão evento on-line gratuito para abordar a relevância dos aspectos psicossociais no enfrentamento do tratamento, assim como na preservação e na promoção da saúde mental durante e após a doença.

A pesquisadora e psicóloga especializada em oncologia Cristiane Bergerot, que trabalha no Centro de Câncer de Brasília (Cettro), destaca que alguns estudos sugerem que há uma associação entre sintomas depressivos e uma pior sobrevida para o paciente. “Sabe-se que o manejo desses sintomas durante o tratamento melhora as taxas de sobrevida”, afirma.

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Cristiane, que conquistou o Global Oncology Young Investigator Awards/Conquer Cancer Foundation em 2021, lembra que é natural ter dificuldades para enfrentar os efeitos físicos, emocionais e sociais da doença e do tratamento.

Comportamentos de risco

Entretanto, aqueles que tentam gerenciar os sintomas emocionais com comportamentos de risco – como fumar e ingerir álcool -, que se tornam mais sedentários ou que se isolam podem ter uma pior qualidade de vida após o tratamento.

Como oncologista, Murilo Buso, também médico do Cettro, observa em sua rotina a relevância da assistência integral, da qual faz parte a psicologia, entre outras especialidades e estratégias. “É preciso estabelecer cuidados centrados na paciente, ou seja, cuidar da pessoa e não da doença”, destaca.

Carla Furtado, fundadora do Instituto Feliciência e professora de psicologia, destaca que cerca de 33% dos diagnósticos podem ser evitados – como aqueles relacionados ao tabagismo, por exemplo – quando detectados precocemente e tratados da maneira correta. “Sabemos que a informação é uma arma potente contra o câncer”, afirma.

Os três especialistas vão aprofundar a temática no Webcast “É Possível Florescer Apesar e A Partir do Diagnóstico de Câncer?”, evento que acontece na próxima sexta-feira (4/2), das 8h às 9h da manhã.

Carla Furtado explica que a proposta do webcast é lançar um holofote sobre a dimensão psíquica do paciente e o quanto seu bem-estar emocional é relevante para o tratamento e a qualidade de vida.

“O dualismo mente-corpo é um dos primeiros pontos que precisamos revisitar. Está mais que na hora de atualizarmos esse paradigma, compreendendo que não há cisão entre ambos”, ressalta.

Estresse

“Nosso sistema nervoso integra nosso corpo e a experiência mental é também uma experiência neurofisiológica, química. O estresse inerente ao diagnóstico do câncer, por exemplo, deve ser detectado precocemente e, se necessário, deve-se encaminhar o paciente ao acompanhamento psicológico”, explica a fundadora do instituto.

No encontro, os especialistas falarão sobre conceitos amplos de saúde mental e achados científicos atuais e relevantes para profissionais ligados à oncologia e pacientes com câncer. O evento é uma realização do Instituto Feliciência e da Unity.

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