De relacionamentos à distância até novos hábitos: o que alagoanos descobriram no distanciamento social
Quase dois anos desde o primeiro caso de covid-19 no Brasil, realidade ainda é muito diferente do que era antes
Cercadas pelas paredes e os móveis de casa, as pessoas passaram a se redescobrir dentro do próprio lar devido aos dias de distanciamento social, decorrentes da pandemia. Com as dúvidas sobre o vírus, o medo do contágio e readaptação de toda uma rotina, o processo de isolamento foi, no mínimo, desafiador. Mas, os quarentenados, também aproveitaram o momento para fazer descobertas.
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Lidar com uma nova dinâmica de vida, os protocolos sanitários e o desejo pela volta da liberdade, fez os cidadãos se reinventarem e se permitirem descobrir novos hábitos ou reviver alguns antigos.
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Aprender a aproveitar a própria companhia, encontrar o amor, maratonar séries, criar novos hábitos alimentares, de tudo um pouco aconteceu dentro das paredes das casas dos brasileiros. Além de encontrar formas de ter lazer dentro do lar, adaptar trabalho e estudo em casa também foi necessário.
De acordo com a psicóloga Camila Falcão (CRP 15/5932), aprender a tocar um instrumento musical ou a cozinhar, praticar exercícios físicos, ler aqueles livros que estavam acumulados na prateleira foram algumas das formas que as pessoas encontraram para manter a saúde mental.


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Laiane Santos, vestibulanda de medicina, conta que estudar em casa se tornou desafiador após a mãe e os irmãos ficarem mais tempo em casa. “Foi estranho e muito complicado. Desde 2019, eu tinha me descoberto na aula online, gostava do formato, mas eu estava cansada daquilo. Com o aperto da pandemia, a dinâmica da minha casa mudou, o silêncio que existia devido a falta das pessoas dentro de casa deu lugar para o barulho constante”, disse a jovem.

Em contrapartida, para alguns, o home office possibilitou melhorias na qualidade de vida. De acordo com José Lopes, funcionário público e contador, a paralisação das atividades deu a oportunidade de reorganizar e aplicar novos protocolos de segurança para o segmento educacional.
NOVAS DESCOBERTAS
Durante o período de quarentena, descobrir formas de aproveitar o tempo livre foi bem diverso. Enquanto uns se aproveitaram da internet para conhecer novas pessoas, outros utilizaram os shows (lives) para desfrutar dos momentos em família.
Laiane encontrou no yoga uma nova válvula de escape e também se apaixonou através de um aplicativo. Assim, ela mantém um relacionamento de quase um ano, lidando com os desafios da pandemia. “Eu tive covid e durante o isolamento total senti falta de conversar e não queria sobrecarregar os meus amigos. Numa tentativa de achar um passatempo, baixei o aplicativo e encontrei meu namorado”, contou a estudante.
Além de encontrar o amor, a vestibulanda também se arriscou e embarcou na aventura de morar sozinha e aproveitar a própria companhia.
Segundo a psicóloga Camila Falcão, apreciar a sua própria companhia é necessário e benéfico, mesmo não sendo tão fácil para alguns. “Nesse período de distanciamento social, o medo de estar sozinho foi uma das demandas que mais recebi na clínica. Por outro lado, muitos até preferem ficar sozinhos e não tiveram problemas nesse período de isolamente/distanciamento”, diz Camila.
Já o contador José Lopes buscou hobbies para ocupar o tempo e, principalmente, os pensamentos. Além da culinária, passou a fazer caminhadas diárias até a praia, organizar arquivos digitais e pesquisar novas áreas profissionais. “Com o isolamento, eu e minha família passamos a buscar novas atividades, como nos reunir para assistir às lives na TV. E não foram poucas. Criamos o hábito de ver programas de culinária e nas sextas-feiras colocar em prática os ensinamentos dos programas, dentre outras coisas”, revela José.

A VOLTA
Com o avanço da vacinação e a retomada gradativa das atividades, mais uma vez o cidadão encontra-se mergulhado em um mar de dúvidas e receios. Voltar à rotina, mas conciliar os hábitos com os protocolos sanitários ainda tem preocupado muita gente.
O aumento da procura de atendimento psicológico continua e a preocupação com a incerteza tem sido pauta dentro das salas das clínicas. "As queixas mais recorrentes são o medo e a incerteza. O medo de retornar a rotina de trabalho/estudo, e ao mesmo tempo a incerteza do que estamos vivendo. Para alguns adolescentes que estão em atendimento, a demanda que eles trazem é se vão saber se relacionar com os colegas/amigos e se tudo voltará a ser como antes”, relatou a psicóloga.
