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Com salas cheias, candidatos foram impedidos de fazer Enem

Candidatos também reclamam que não receberam comprovantes ou qualquer documento após serem informados que teriam que fazer a reaplicação em fevereiro

Estudantes inscritos no Enem 2020 relataram que foram impedidos de fazer a prova neste domingo (17) devido a lotação das salas. Em diversos estados do país, os candidatos relataram que foram barrados pelos fiscais de prova com a justificativa de que as salas já tinham atingido a capacidade máxima de participantes.

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A distribuição dos candidatos por sala é de responsabilidade do Inep, que divulgou um protocolo sobre a Covid-19 que reduziria a capacidade das salas para manter distanciamento mínimo entre os candidatos. O Instituto havia assegurado ter espaços suficiente para que todos os 5,7 milhões de inscritos fizessem a prova com segurança.

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A Folha já havia mostrado que o Inep não garantiu que todas as salas de aplicação foram organizadas para receber candidatos até 50% da capacidade dos espaços. A aposta de integrantes do órgão era de que muitos alunos deixariam de ir fazer a prova, o que garantiria baixa ocupação.

Jhennifer Silva, de 24 anos, foi fazer a prova na escola estadual Pedro Malozze, em Mogi das Cruzes. Ela entrou no local às 12h30, meia hora antes do fechamento dos portões, mas foi impedida de entrar na sala.

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"Uma fiscal estava segurando todo mundo que chegava, dizendo que eles não tinham mais espaço para nos colocar. Cerca de 60 pessoas na minha escola foram impedidos de fazer a prova", disse.

A fiscal pediu que os candidatos escrevessem seus nomes em uma lista e os orientou a ligar para o Inep e solicitar a remarcação do exame. "Tenho medo de não conseguir fazer a prova, não me deram nenhum documento que me assegure isso."

Situação parecida ocorreu em Pelotas (RS), com Arthur Tavares, 19, que também foi barrado de entrar na sala de prova. Ele disse que entrou na escola estadual Sylvia Mello por volta das 12h30.

"Quando entrei já tinha uma fila, com outras 20 pessoas, que estavam esperando para ver se conseguiriam nos realocar. No fim, disseram que não tinha espaço e nos mandaram embora."

Bianca Coelho também chegou ao local de prova 25 minutos antes do fechamento dos portões na Uniasselvi, em Canoas (RS) e foi barrada pelos fiscais. Ela questionou quantas pessoas haviam na sala, mas não foi informada.

"É um desrespeito com os estudantes. Se tivessem avisado que poderiam barrar os candidatos se houvesse superlotação, eu teria me programado para ir mais cedo."

Além de terem sido prejudicados por não fazer a prova na data marcada pelo Inep, os candidatos temem não conseguir fazê-la na reaplicação, marcada para fevereiro.

O Inep não respondeu sobre os candidatos que foram impedidos de fazer a prova.

No sábado (16), a Defensoria Pública da União entrou com um novo pedido na Justiça Federal para tentar barrar a realização do Enem já que documentos mostravam que o Inep não garantiu a redução prometida de candidatos por sala.

Na terça (12), a UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) encaminhou um documento ao Inep informando que as salas de suas instalações tinham ocupação de 80%. A instituição diz que a condição para ceder os espaços foi de que seria respeitado o limite de 40%, o que não ocorreu.

Segundo a Defensoria, ficou evidente que o órgão mentiu para as instituições que cederam o espaço para aplicação da prova e também para a justiça sobre as medidas adotadas para garantir a segurança dos candidatos.

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