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Mulher que recebeu buquê com bomba em SP desconfia do ex

Operadora de telemarketing Edileuza Ramalho, de 49 anos, está internada em observação no hospital de Francisco Morato;

A Polícia Civil está ouvindo testemunhas e já pediu uma perícia na casa da mulher que recebeu uma bomba escondida em um pacote entregue junto com um buquê de flores em Francisco Morato, na Grande São Paulo. A investigação tenta identificar o responsável pelo envio do pacote e a motivação do crime.

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A bomba estava em um pacote, destinado à operadora de telemarketing Edileuza Ramalho, de 49 anos. Ela está internada em observação no hospital da cidade. Edileuza acredita que o buquê tenha sido enviado pelo ex-namorado.

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"Ele já vinha me ameaçando há algum tempo porque eu terminei e ele não aceitou que eu terminasse, mas eu terminei porque eu descobri que ele não se separou da mulher, que ele está casado. Então eu separei dele. Quando foi no Natal eu fui para a praia e eu não sei como ele descobriu que eu estava na praia, mas ele foi atrás de mim", afirmou Edileuza.

O impacto da explosão foi tão forte que não sobrou nenhum cômodo intacto na casa. Inclusive o telhado desabou. Os estilhaços ficaram espalhados por toda a parte.

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O pacote chegou no sábado (2) acompanhado de um buquê de rosas vermelhas. Um dos filhos de Edileuza recebeu o suposto presente e deixou em cima da mesa da cozinha porque ela estava viajando. O pacote só foi aberto na terça-feira (6) à noite, quando ela voltou para casa.

O filho, o eletricista Jhonatan Cardoso dos Santos, estava junto na hora em que Edileuza abriu o pacote.

"Quando abriu a caixa, isso começou a sair fumaça, está pegando fogo, estourou, mas estourou que não deu para ver mais nada, da porta fui jogado um metro e meio de distância", conta ele.

Os filhos e a cunhada Kelly Oliveira disseram que a mãe suspeita de um namorado com quem ela terminou no ano passado.

"Ela pedia a todo momento para não ficar sozinha, ela falava ?Não me deixa sozinha, ele vai vir aqui, vai querer me matar? e ela ficava dizendo o tempo todo isso."

A polícia investiga o caso, registrado como tentativa de homicídio.

Violência contra mulher cresce

Os números da Secretaria da Segurança Pública mostram porque tantas mulheres vivem com medo da violência. Entre janeiro e novembro de 2020, a polícia registrou 160 feminicídios, três a mais em relação ao mesmo período do ano anterior. Os casos de agressão diminuíram, mas ainda assim são muitos. Foram mais de 45 mil no ano passado.

Casos de ameaças contra mulheres, foram mais de 50 mil. Os números podem ser ainda maiores já que a pandemia afastou as vítimas das delegacias.

Desde o ano passado, a Lei Maria da Penha prevê o encaminhamento agressores a centro de reeducação. A medida é considerada protetiva para as mulheres e a Justiça pode determinar isso desde o início do processo criminal.

Em São Paulo, o projeto Tempo de Despertar do Ministério Público já atendeu mais de 500 homens desde 2014. Entre os participantes, a taxa de reincidência de crimes de violência contra a mulher diminuiu de 65% para 2%.

"O grupo na verdade funciona para ele entender que aquela situação que ele achou que era normal, que ele achou que era uma conduta, entender que esse tipo de comportamento pode levar sim ao feminicídio", afirma o sociólogo e gestor do projeto Sérgio Barbosa.

O projeto Tempo de Despertar vai retomar as reuniões com os homens agressores nesta quinta-feira (7) de forma online por causa da quarentena. São esperados 42 homens no projeto. Trata-se de uma turma nova, mas há uma demanda represada de quando as reuniões foram suspensas por causa da pandemia. Por isso, o projeto prevê receber 560 agressores até junho.

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