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Economista prevê aumento da desigualdade em AL com fim do Auxílio Emergencial

De acordo com o IBGE, em 58,4% dos domicílios alagoanos algum morador recebeu o benefício em novembro

O mês de dezembro é o último mês de pagamento do Auxílio Emergencial do Governo Federal. Com a maior parte dos setores da economia ainda lutando para retornar aos mesmos níveis de antes da pandemia e a população ainda sofrendo com o desemprego, a perspectiva não é nada animadora. Para o economista Jarpas Aramis, a partir de janeiro, Alagoas terá "uma massa na busca pela sobrevivência".

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Dados da Pnad Covid divulgados nesta quarta-feira (23) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que, no mês de novembro, em 58,4% dos domicílios alagoanos algum morador era beneficiário do Auxílio Emergencial. O percentual é o quarto maior do Brasil e o segundo do Nordeste, atrás apenas do Maranhão (60,2%)

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Contudo, a taxa de dependência do Auxílio Emergencial aferida em Alagoas no mês passado representa uma queda em relação a outubro, quando foi registrado que 60,4% dos domicílios haviam recebido o auxílio.

Também houve registro de queda na média do rendimento proveniente do auxílio emergencial recebido pelos domicílios: era R$ 950,00 em maio, atingindo o maior pico em agosto, com R$1.082,00 e o menor justamente em novembro, com R$ 691,00.

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"O auxílio emergencial deu a esse período uma aparente normalidade. Nos vemos de frente a dois cenários, e o pior deles é o fim dos pagamentos". Com o presidente da República sendo enfático ao afirmar que uma nova prorrogação do auxílio é inviável e a aproximação do fim do mês, este pior cenário se torna cada vez mais próximo.

Aramis explica que todo o país passa, faz anos, por um processo de retorno a indicadores negativos que estavam superados há décadas. "Fome Zero, Luz Para Todos, todos esses são programas criados em uma época em que muitos brasileiros ainda viviam abaixo da linha da pobreza, e estamos vendo o país voltar a isso", disse, acrescentando que tal retrocesso social e econômico já ocorria antes do isolamento.

"Não é comum ver gente pedindo ajuda, em situação de rua, fora dos grandes centros urbanos", diz. "Eu já estou começando a ver isso acontecer, coisa que eu via há vinte, trinta anos atrás".

O Estado de Alagoas, que convive há anos lado a lado com indicadores de vulnerabilidade social, está especialmente exposto a esse processo de desmonte. Com mais famílias dependendo do auxílio do que a maior parte do país, os efeitos do fim do benefício no estado também devem ser mais amplos. "Terá um aumento no endividamento, uma queda no consumo, as pessoas vão parar de movimentar a economia", afirma o especialista.

O desemprego, já em números recordes, aliado a uma economia menos movimentada pela insegurança faz os estabelecimentos se fecharem e aumenta o desalento geral da população. "A gente nunca espera pelo pior, e o pior é o caos. Gente com fome faz o que for preciso para comer. Não acho que [o caos] virá. A questão é: Até quando as pessoas sem acesso a comida, trabalho, energia, vão aguentar?", questionou Aramis.

Solução passa por maior engajamento

Questionado sobre uma solução para o problema, o economista disse acreditar que outras esferas do Poder Público podem intervir. "Os estados e municípios têm total autonomia para criar suas políticas de suporte", relembrou. Ele reforça, contudo, que Alagoas possui diversos programas de assistência social, mas seus efeitos são limitados pela execução.

Com famílias extremamente vulneráveis espalhadas pelo estado e, especialmente, pela capital, poucas sabem que programas de ajuda existem. "Não se vê busca ativa. O Estado não bate na porta das famílias mais vulneráveis para analisar a situação e dizer os direitos que elas têm", diz.

Para ele, contudo, a população não deve aguardar somente pela ação do Poder Público. "A sociedade civil organizada também assume essa responsabilidade de direcionar, instruir", afirma. "Onde está o engajamento? É importante ressaltar isso também".

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