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Em crise, taxistas abrem mão até de bandeira 2 para sobreviver a concorrência de aplicativos

Numa concorrência com mais de 15 mil veículos que operam por app, taxistas sofrem para garantir o sustento da família

Para sobreviver numa cidade que adotou o transporte por aplicativo, o taxista faz qualquer negócio desde que tenha a corrida garantida, situação comum entre esses profissionais que sofrem para garantir sustento. Na Praça Dom Pedro II, no centro de Maceió, a rotina de trabalho deu lugar ao desânimo. Gente que passa quase doze horas para conseguir de quatro a cinco corridas.

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Mesmo no fim do ano, época que normalmente aumenta o movimento de passageiros, os taxistas não acreditam que o faturamento melhore. “Tem essa questão da mudança de bandeira nessa data, mas, na verdade, se o passageiro quiser acertar de outra forma a gente fecha a corrida. A situação está muito difícil”, conta Marcos Teixeira, 48 anos de idade, doze deles dedicados à profissão.

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Segundo o taxista, sua rotina começa às 8h30 na Praça Dom Pedro II, conhecida como praça da Assembleia. Na maioria das vezes quando chega 19h30 tem conseguido apenas quatro corridas, que por mês garantem menos de um salário-mínimo. “Esses carros por aplicativo acabaram com a gente. Não sei nem como eles estão rodando com o preço do combustível do jeito que está, fora a manutenção do veículo”, lamenta.

Marcos Teixeira lembra que pouco mais de dez anos atrás era possível sustentar a família com o dinheiro recebido como taxista, mas agora a situação está impossível. “Não tem para onde correr. Não tenho dinheiro para alugar carro e trabalhar com Uber. Tem essa bandeira 2 que dura até janeiro, que esperamos que ajude em algo, mas a verdade é que não tem como a situação melhorar”, afirma.

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A entidade que representa esses trabalhadores fala que rodam em Maceió cerca de três mil táxis e que os carros por aplicativos já representam mais de 15 mil, situação que prejudica a categoria. “Ainda tem gente que prefere o táxi porque acha mais seguro e muitos ainda não sabem mexer no aparelho celular. Tem a clientela fixa, como idosos”, explica Marcos.

Ubiraci Correia, presidente do Sindicato dos Taxistas de Alagoas (Sintáxi), afirma que a categoria sofre muito por se tratar de uma concorrência desleal com os carros por aplicativo. “Qualquer um pode ser motorista de aplicativo. Basta querer. Existe lei, mas ela não é cumprida, então os taxistas são os maiores penalizados. Os motoristas de aplicativo não têm as mesmas obrigações que a gente”, afirma.

De acordo com o representante do sindicato, os taxistas têm a oportunidade de receber um pouco mais nessa época do ano – de 6 de dezembro a 6 de janeiro – um acréscimo de 20% da tarifa, mas que cada profissional pode decidir a forma como negociar com o passageiro. “Quando regulamentarem o aplicativo, vão pagar imposto e deixará de ser do jeito que está com apenas os taxistas tendo as responsabilidades para cumprir”, finaliza Ubiraci Correia.

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