Entrevista: Nando Reis comemora 40 anos de carreira com show "caloroso" em Maceió
Apresentação será nesta sexta-feira (12), no Summer Club Jacarecica, a partir das 21h
Nando Reis passou o último ano em ritmo frenético. Foram lives, shows drive-in e híbridos, tudo o que era possível para não ficar longe dos palcos durante o período mais crítico da pandemia do novo coronavírus. Agora, com o avanço da vacinação e a retomada dos shows presenciais, o ruivão volta à estrada e, nesta sexta-feira (12), estaciona em Maceió para um show que ele diz que será “inesquecível” e “caloroso”. A apresentação ocorre no Summer Club Jacarecica, a partir das 21h.
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No repertório, canções que marcaram época, como “All Star”, “Relicário” e “Luz dos Olhos”. Além do single mais recente do cantor e compositor, a faixa “Espera a Primavera”. Na companhia de Nando estarão Pupillo Oliveira (ex-Nação Zumbi e produtor do seu último disco) na bateria, Walter Villaça nas guitarras, Alex Veley nos teclados, Felipe Cambraia no baixo e Sebastião Reis, terceiro filho do cantor, nos backing vocais e violão.
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40 ANOS DE CARREIRA
Nando Reis começou a carreira artística na banda Salsa Sossega Leão, em São Paulo. Em 1982, deixou o grupo e passou a integrar Os Titãs, onde permaneceu até 2001, após o lançamento do disco A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana. Naquele mesmo ano, foi indicado ao Prêmio Multishow de Música Brasileira na categoria “Revelação solo”.
Em 2014, o seu mais novo trabalho àquela época, intitulado “Sei Como Foi em BH”, foi indicado ao Grammy Latino de Melhor Álbum de Rock em Língua Portuguesa. Já em 2017, o disco “Jardim-Pomar” conquistou essa mesma honraria.


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Assim como no período com os Titãs e nas dezenas de colaborações, essa carreira solo consagrada tem refrões simplesmente impossíveis de não se cantar em coro quando entoados. São hinos da música brasileira, como “Espatódea”, “O Segundo Sol” e “Pra Você Guardei o Amor”.
Ele, que antes de músico é poeta, poderia ser de difícil trato e de palavreado complexo, mas, em entrevista à Gazeta de Alagoas, exibiu seu jeitão despretensioso e apaixonado por fazer música. Na conversa, José Fernando Gomes dos Reis, de 58 anos, fala do show que fará em Maceió, das memórias que possui do tempo em que passava férias na capital alagoana, além de comentar o período de pandemia, refletir sobre produtividade e afirmar que sente-se orgulhoso da trajetória que construiu até aqui.
Gazeta de Alagoas. São 40 anos de carreira, 20 com os titãs e 20 como Nando Reis. É um momento emblemático. Daqui, como você vê essa trajetória e o que ainda quer realizar?
Nando Reis. É. 40 anos. É, de fato, um número emblemático, uma data redonda, embora não tenha exatamente um significado diferente do que é… Sinceramente, sabe a forma como eu conto a minha trajetória? Por discos. E eu fiz muitos discos nesses quarenta anos. Acho que com os Titãs foram treze, produzi três da Cássia [Eller], os meus, não sei, acho que são treze. Isso me agrada. Eu olho pra trás e tenho uma sensação de satisfação, de felicidade com algo que representa o meu trajeto. Quero fazer mais discos.
O mercado e a forma de consumir música mudaram muito e, com a própria idade, a minha, não sei se exatamente criatividade, mas a minha produtividade não tá só concentrada nisso, mas eu gosto, acho bonito.
Naturalmente, você viu muitas coisas mudarem dos anos 1980 pra cá. Como enxerga a Música Popular Brasileira de hoje? E o que você anda ouvindo?
A música popular sempre foi muito pródiga em revelar talentos e viver suas ondas eufóricas com as novidades, suas diferentes fases e artistas que, a cada momento que surgem, parecem representar aquilo que pensa ou diz a música brasileira. Mas só parece, a música brasileira nunca foi uma única coisa, nem mesmo naqueles momentos áureos da MPB. Havia muitos artistas que não estavam na crista da onda e que hoje são vistos como joias, com a qualidade dos seus trabalhos devidamente valorizada e reconhecida. Então, o que temos hoje é muita coisa, o que tem hoje não é só o que é feito hoje, nem o que está acontecendo hoje de fato expressa o que é mais relevante. Acho sempre bacana, difícil acompanhar tudo. E eu nem ouço muito, eu ouço muito reggae, saca? É engraçado, a minha relação com a música, talvez justamente por eu ser músico, eu não tenho essa forma de ouvir pra me informar, eu não sou jornalista.
E como você vê o tratamento aos artistas hoje em dia e o fato de a cultura gerar tantas discussões na esfera política?
Eu vejo que tem um bando de imbecis, retrógrados, fundamentalistas, ignorantes brincando com seu poder. Usando isso para destruir. Vejo uma hipocrisia descarada, achando que podem impor um modelo do que é cultura, do que representa o Brasil. É aflitivo, indignante, porque nós somos vilanizados com falácias, calúnias mesmo, isso é uma destruição, que não tem a menor cabimento. Mas eles serão engolidos. O Brasil é muito maior. A diversidade, a riqueza, creio que essa escória vai sumir.
As pessoas andam mais caretas do que há 40 anos?
Mais ou menos. Todas as reivindicações, revelações das discriminações, as falas, revelam hipocrisia, confrontam a hipocrisia. Então, eu acho que, mais do que careta, as pessoas estão hipócritas. Mas a sociedade sempre primou por ser hipócrita.
Você tem uma coleção invejável de sucessos, na sua voz e na voz de outros grandes nomes. E, mesmo assim, é um artista independente. Como é isso? Voltaria para uma gravadora? O que é bom e o que é ruim?
Sou um artista independente porque é o modelo que mais me serve neste momento. Eu tenho um escritório e não só não sou contratado por gravadora, como também não tenho nenhum empresário. Eu mesmo faço a gestão do meu negócio e isso é uma coisa que eu conquistei, da qual não abro mão. Agora, eu também, justamente por ter que ter o pensamento empresarial, sempre farei o melhor negócio e isso considera inúmeras avaliações, aspectos, variáveis. Então não existe essa premissa “Ah, eu nunca mais serei de uma gravadora”. Não existe. Dificilmente uma gravadora vai oferecer algo que eu não possa conquistar e fazer melhor sozinho. Mas, quem sabe? Nunca se sabe. Eu não me oponho, nem renego aquilo que fiz.
Como passou pela pandemia, teve isolamento de fato?
Teve sim. Teve. Fiquei fora de São Paulo, tive que trabalhar como todo mundo. E pude, felizmente, trabalhar de forma remota, mas, em alguns momentos, tive que me deslocar. Sobrevivemos. Felizmente, não perdi ninguém próximo. Embora tenham havido muitas mortes no meu círculo próximo, nenhuma foi por Covid. Fiquei e estou ainda muito pesaroso de tudo que vivemos, a quantidade de mortes, o descalabro que foi a condução dessa pandemia. Continuo. Todos nós ainda temos que andar de máscaras quando saímos às ruas, nos transportes, quando estamos em contato com outras pessoas. Pra mim, é uma marca futura em todos nós, mas em alguns muito mais. Aqueles que perderam parentes…
E como tem sido retornar aos palcos e reencontrar o público depois de tantas lives?
Muito bom retornar aos palcos, encontrar o público, é emocionante. Fiz muitas lives, as lives são um modelo que, pra certas coisas, vai permanecer. Mais um modelo que se abre. Mas nada substitui a presença da plateia, o calor, a troca que se dá num show.
Você tem uma relação com Alagoas. Que relação é essa e o que podemos esperar do show do dia 12?
Eu adoro Alagoas. Eu me lembro que ir praí de férias foi uma das viagens mais marcantes da minha adolescência. Tinha um casal de amigos dos meus que dirigiam aquele hotel… Jatiúca. Lembro de férias marcantes que passei lá, a primeira vez que vi o mar de Maceió, aquela variação de tonalidades, verde, um azul, um azul mais profundo, é uma coisa muito bonita. Vocês podem esperar do show e o que eu sempre pretendo oferecer, a minha entrega e calor.
Serviço:
O quê: Show de Nando Reis
Onde: Summer Club Jacarecica, na Praia de Jacarecica, em Maceió
Quando: 12 de novembro | Abertura dos portões às 21h
Ingressos: Açaí Concept do Parque Shopping ou pelo link
