Incêndio na boate Kiss completa 100 meses; famílias organizam homenagens
Balões serão soltos em frente ao prédio da boate, nesta quinta (27). Cronograma segue até o dia 1º de dezembro, data do júri dos quatro réus pelo incêndio que aconteceu em 2013
O incêndio da Boate Kiss completa 100 meses nesta quinta-feira (27). A tragédia causou a morte de 242 pessoas e feriu outras 630, em 27 de janeiro de 2013, em Santa Maria, na Região Central do Rio Grande do Sul. Para marcar a data e prestar homenagens, a Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM) em parceria com o coletivo Kiss: Que Não Se Repita, lançam a campanha "100 Meses Sem Justiça".
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"A gente vai ter que marcar essa data, até porque é uma campanha muito grande que nós estamos fazendo para marcar os 100 meses da tragédia que matou os nossos filhos", afirma Flávio Silva, presidente da AVTSM e pai de Andrielle Righi da Silva, vítima do incêndio.
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Voluntários irão soltar balões em um ato simbólico, em frente à Boate Kiss, na quinta. O evento será transmitido ao vivo, a partir das 11h30, pelas redes sociais. A ação vai respeitar os protocolos de prevenção ao contágio pelo coronavírus, informaram os organizadores.
A programação segue até o dia 1º de dezembro, data do júri dos quatro réus pela tragédia, em Porto Alegre.


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Nos próximos meses, também serão realizados bate-papos ao vivo com mães, pais, sobreviventes da tragédia e técnicos que irão analisar todos os aspectos envolvendo o incêndio. A programação ainda inclui o lançamento de um documentário que reconta a tragédia e fala sobre o papel dos responsáveis. Ainda estão previstos atos em Porto Alegre, mas que não tiveram datas divulgadas.
Evitar o esquecimento
Flávio explica que, com o passar dos anos, a tragédia ficou no esquecimento. "Esse ato é um alerta para acordar a população que está meio 'anestesiada'".
Ele ainda pede que as pessoas participem da programação.
"Unidos nós teremos mais força para cobrar a justiça em relação a tragédia da Boate Kiss, para que não aconteça mais em outros lugares uma tragédia como essa", completa.
A programação é divulgada nas redes sociais da Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria.
Relembre o caso
Na madrugada de 27 de janeiro de 2013, um incêndio na Boate Kiss, em Santa Maria, Região Central do Rio Grande do Sul, durante uma festa, causou a morte de 242 jovens e deixou outros 630 pessoas feridas. O fogo começou no palco, onde a banda Gurizada Fandangueira realizava um show com um artefato pirotécnico.
O extintor que estava ao lado do palco não funcionou e as chamas se espalharam pelo teto da boate. A casa noturna tinha apenas uma porta de saída, que não foi suficiente para que os participantes da festa conseguissem sair. Na noite do incêndio, havia superlotação de público, o que dificultou ainda mais a saída das pessoas.
Após as investigações, foram confirmadas uma série de irregularidades da boate com os alvarás de funcionamento, além de falta de sinalização nas rotas de saída de emergência e o local não tinha exaustão de ar adequada, o que dificultou a dissipação da fumaça.
Em abril deste ano, a Justiça marcou a data do julgamento de Elissandro Callegaro Spohr e Mauro Londero Hoffmann, sócios da boate, e Marcelo de Jesus dos Santos e Luciano Bonilha Leão, integrantes da banda que tocava na noite da tragédia. Os réus respondem por homicídio simples, 242 vezes consumado e 636 vezes tentado (pelo número de feridos).
