Reajuste do governo de AL não cobre perdas e servidores amargam prejuízo de 15% em reposição salarial
Na prática, isso significa que o poder de compra do salário do funcionário público do Estado diminuiu

Hebert Borges
15/05/2021 às 0:57 • Atualizada em 15/05/2021 às 1:12 - há XX semanas
Siga a GazetaWeb no Google
O governo Renan Filho (MDB) anunciou, nesta semana, um reajuste salarial de 4,52% para o funcionalismo público do Estado. No entanto, o percentual é insuficiente para cobrir a defasagem que os servidores vêm amargando nos últimos anos durante a atual gestão. Mesmo com esta reposição, as perdas salariais chegam à casa dos 15,7%. O projeto enviado pelo governo concedendo o reajuste foi aprovado na sessão ordinária dessa quinta-feira (14), na Assembleia Legislativa.
Tudo em um só lugar.
Receba notícias da GazetaWeb no seu WhatsApp e fique por dentro de tudo!

Os números mostram que a inflação acumulada entre 2015 e 2020, que compreende a gestão de Renan Filho à frente do Executivo, é de 34,47%; já os reajustes dados pelo Estado somam 18,77%. Na prática, o poder de compra do salário do funcionário público do Estado diminuiu.
Leia também
Os servidores lembram que a atual gestão nunca concedeu aumento real. Além disso, essas perdas podem ser ainda maiores, já que, nos anos em que concedeu reposição salarial, o Estado o fez em cima de salários já defasados. Os servidores públicos cobram que o Executivo pague, ao menos, a defasagem salarial causada pelos anos em que o Estado não concedeu nem a reposição da inflação.
A defasagem salarial faz com que, com o mesmo montante, compre cada dia menos, tendo em vista o avanço da inflação. Tomando como exemplo uma situação hipotética em que dois pacotes de arroz custem R$ 10, e após a inflação, passem a custar R$ 14,52, significa que o consumidor ou compra menos ou precisará desembolsar mais para adquirir o mesmo produto. Portanto, se um servidor, em 2015, ganhava R$ 1.000, agora ganha R$ 1.187, mas deveria receber R$ 1.344, ou seja, o trabalhador tem uma perda de R$ 157.


Polícia investiga cemitério clandestino em Coruripe

Áudios revelam ordem para PTK se infiltrar na política de Maceió

Polícia prende suspeitos de integrar o Comando Vermelho em Alagoas e no Rio de Janeiro

Renan Filho anuncia inauguração de duplicação de rodovia entre Arapiraca e São Sebastião
Esses valores consideram, apenas, a reposição da inflação para o período, o que manteria o poder de compra do atual salário, mas sem nenhum aumento real. O presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Alagoas (Sindpol-AL), Ricardo Nazário, pondera que a defasagem salarial preocupa a diretoria do Sindpol. O sindicalista lembra que, além da perda salarial, a reforma da Previdência estadual aumentou a alíquota de contribuição previdenciária de 11% para 14% para os servidores da ativa, e saiu de zero para 14% para aposentados e servidores que ganham abaixo do teto.
Durante a votação da matéria na Assembleia, deputados reagiram ao percentual concedido pelo governo e disseram que há outras distorções que precisam ser corrigidas. A deputada Jó Pereira (MDB) disse que existem outras correções, no contexto dos servidores públicos, que precisam de mais urgência. “Dentre elas, a correção os funcionários públicos que ganham abaixo do salário-mínimo”, afirmou ela.
De acordo com o Sindpol, o governador de Alagoas não concedeu nem reajuste nem reposição da inflação nos anos de 2016, 2019 e 2020. E, nos anos de 2015, 2017 e 2018, aplicou índices menores aos servidores. Ao mesmo tempo, o sindicato aponta que, em 2020, o preço do conjunto de alimentos subiu 24,67% na cesta básica.
Dispararam o preço do óleo de soja com 103,79%, arroz com 76,01%, frutas (25,40%), carnes (17,97%), batata-inglesa (67,27%) e tomate (52,76%), conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
MAIS PREJUÍZO
Além disso, a defasagem salarial dos servidores do Estado pode ser ainda maior, já que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mede a inflação média do País.
Segundo o IBGE, o principal vilão da inflação de 2020 foi o grupo de alimentação e bebidas, que apresentou a maior variação (14,09%) e o maior impacto na composição da inflação (2,73 p. p.) no acumulado do ano. Essa é a maior variação acumulada no ano do grupo desde dezembro de 2002, que registrou alta de 19,47%. Logo em seguida, aparecem como “vilões” da inflação os grupos de habitação, com alta de 5,25% e contribuição de 0,82 p. p., e artigos de residência, com 6,00% de alta e 0,23 p. p. de impacto. Em conjunto, estes grupos responderam por quase 84% da inflação de 2020.