Ismael Ivo, bailarino e coreógrafo, morre aos 66 anos após diagnóstico de Covid-19
Segundo assessoria, artista estava internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, havia um mês
O bailarino e coreógrafo Ismael Ivo morreu na noite desta quinta-feira (8), aos 66 anos, por complicações da Covid-19, informou sua assessoria. Ele estava internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.
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Ismael Ivo se notabilizou após atuar por mais de três décadas na Europa. Em 2017, assumiu a direção do Balé da Cidade de São Paulo.
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A assessoria informou que o artista estava internado havia um mês e chegou a ser intubado na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). Ainda de acordo com a assessoria, Ivo melhorou e foi para um quarto. Mas o quadro piorou na última madrugada.
Até a última atualização desta reportagem, por volta de 6h50, ainda informações sobre o sepultamento do corpo do bailarino. A cerimônia será restrita a amigos próximos e familiares.


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De origem humilde, nascido na Vila Ema, Zona Leste de São Paulo, Ismael Ivo foi criado apenas pela mãe, empregada doméstica, que morreu em 2017. Ele afirmava que sua mãe foi sua grande incentivadora para que enfrentasse seus desafios. Desde adolescente, interessava-se pela dança.
Em entrevista concedida ao programa Conversa com Bial em outubro de 2019, Ivo contou como foi o começo da sua carreira, como foi ser morador da periferia de São Paulo e precisar se deslocar para áreas nobres da cidade e como ele teve as portas abertas para a carreira internacional.
Ismael Ivo conseguiu bolsas de estudos em escolas de dança contemporânea e conseguiu integrar o corpo de dançarinos do Teatro de Dança Galpão em São Paulo. O coreógrafo Klauss Vianna o levou para integrar o grupo experimental de dança do Teatro Municipal, onde ficou durante um ano.
Em 1983, durante uma apresentação solo na Bahia, conheceu o coreógrafo norte-americano Alvin Ailey, que se interessou pelo seu trabalho e lhe abriu as portas para uma carreira internacional.
Mudança para o exterior
Ivo mudou-se para o exterior e, em 1984, fundou, juntamente com o diretor artístico Karl Regensburger, o festival de dança contemporânea ImPulsTanz, em Viena, considerado um dos maiores festivais internacionais de dança da Europa.
Também trabalhou com a coreógrafa e diretora de balé alemã Pina Bausch, com o coreógrafo norte-americano William Forsythe e com a performer sérvia Marina Abramovic.
Ivo foi diretor da Bienal de Veneza e o primeiro negro e estrangeiro a dirigir o Teatro Nacional Alemão, em Weimar. Entre Estados Unidos e Europa, viveu fora do Brasil durante 33 anos.
Direção do Balé da Cidade de SP
Depois de um convite da Secretaria Municipal da Cultura de São Paulo, mudou-se de Berlim para São Paulo em 2017 para dirigir o Balé da Cidade de São Paulo, sendo o primeiro negro a ocupar o cargo.
Ismael Ivo também foi o curador do Programa de Qualificação em Artes de Dança de São Paulo. Em 2018 visitou, com sua equipe, vários grupos de dança por cidades paulistas, onde deu palestras, fez apresentações e orientou os processos técnicos de criação.
Em junho de 2020, sofreu dois acidentes vasculares cerebrais (AVC), que foram revertidos sem sequelas.
Prêmio
Em 2010, Ismael Ivo foi condecorado com a Ordem do Mérito Cultural, outorgada pelo Ministério da Cultura (MinC) a pessoas, grupos artísticos, iniciativas ou instituições a título de reconhecimento por suas contribuições à cultura brasileira.
