Mais de nove mil famílias alagoanas foram cortadas do Bolsa Família em Janeiro
Redução de beneficiários faz com que mais de R$ 1 milhão deixem de circular na economia local
Dados do Ministério da Cidadania mostram que 9.148 famílias alagoanas beneficiárias do Bolsa Família foram cortadas do programa social nesse mês de Janeiro. As famílias já não contaram mais com o recurso a partir deste primeiro mês do ano. A ação do governo faz com que R$ 1.316.207,00 deixem de circular na economia alagoana.
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O números mostram que em janeiro de 2019, 402.968 famílias receberam, somados, R$ 78.066.841,00. Em dezembro de 2018 foram 412.116 famílias, e o recurso foi 79.428.048,00. Em janeiro, o valor médio do benefício pago às famílias alagoanas foi de R$ 193,73.
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No ano passado, o recurso repassado às 412.116 famílias beneficiárias em Alagoas injetou R$ 922,6 milhões na economia do Estado. O volume foi 5% maior do que o repasse feito pelo programa em 2017, quando 396.054 famílias foram beneficiadas em Alagoas.
O programa é voltado para famílias com renda mensal por pessoa de até R$ 89, além daquelas com renda familiar mensal de até R$ 178 por pessoa e que tenham crianças, adolescentes ou gestantes entre os membros. O valor repassado varia conforme o número de membros da família, idade e renda declarada no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal.


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De acordo com a coordenação estadual do programa, ligada à Secretaria de Estado da Assistência e Desenvolvimento Social, o cancelamento ocorreu em nível nacional e que variações ocorrem mensalmente. Segundo a Seades, "com a saída ou pedido de desligamento, uma nova vaga é aberta no programa social e assim, nos próximos meses, conforme o cadastro seja feito, uma família que realmente precisa pode ser beneficiada com o auxílio". Segundo o último levantamento, apenas 664 famílias pediram desligamento voluntário do programa.
De acordo com a secretaria são feitos procedimento para checar a atualização cadastral e situação das famílias. As famílias que tiveram o benefício suspenso devem ir até a sede do Cadastro Único no município ou ao Centro de Referência de Assistência Social (Cras) e verificar a situação cadastral.

De acordo com a economista Luciana Caetano, do ponto de vista individual, famílias em condição de pobreza que perderam o benefício do Bolsa Família podem passar fome e serem vítimas de morte precoce. Do ponto de vista macroeconômico, a redução do consumo das famílias pode tornar ainda mais difícil a retomada do crescimento à medida que sufoca a demanda efetiva. Em outras palavras, a economia tende a crescer em ritmo mais lento ou não crescer.
Segundo ela, o corte do Bolsa Família tende a elevar o grau de mendicância, o índice de violência urbana, além de comprometer a dinâmica dos mercados locais que dependem da renda de famílias pobres, incluindo o BPC que corresponde a um salário mínimo.
De acordo com a economista, só a distribuição de renda pode resultar na retomada do crescimento econômico, posto que sem a circulação da mercadoria, as empresas perdem a oportunidade de finalizarem o processo de valorização do capital. "Se a empresa produz e não tem a quem vender, seu investimento foi inútil. Algumas empresas precisarão sofrer na pele para compreenderem o óbvio, já alertado por Karl Marx, no século XIX. Ironicamente, após tanta perseguição a Karl Marx, a classe empresarial brasileira parece precisar ler a obra 'O Capital'. Se compreendesse Marx, não teriam vibrado com a reforma trabalhista", analisa.
