Crateras de extração de minas provocaram três abalos sísmicos no Pinheiro
Relatório mostra relação direta da atividade de sal-gema com colapso no solo
Nos estudos para chegar à conclusão sobre a instabilidade no Pinheiro, a equipe técnica do Serviço Geológico Nacional analisou também dados de sonares que foram integrados com informações geológicas e de extração de sal em ambiente 3D. O resultado mostra que há indícios de que a atividade de extração de sal-gema alterou o estado de tensão in situ (natural ou normal) de todas as unidades geológicas, gerando colapso de algumas cavidades e aumentando a instabilidade das unidades. Isto quer dizer que estes colapsos geraram abalos sísmicos na região.
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Foram detectadas evidências de desabamento parcial em profundidade na região das minas 7 e 19. A ocorrência de desabamentos em outras minas não pode ser descartada, haja vista a ausência de dados recentes de 27 das 35 cavidades existentes.
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A análise da sismologia mostrou sismos coincidentes com as minas de extração de sal-gema, entre outros localizados no fundo da Lagoa Mundaú e nas áreas mais afetadas do bairro Pinheiro. Pela presença majoritária de energia sísmica em forma de ondas de superfície, os pesquisadores constataram que a fonte sísmica está próxima à superfície e não se trata de um evento tectônico causado por uma falha geológica profunda.
A energia identificada nesses sismogramas também comprova a origem rasa desses tremores de terra, pois a energia é inferior aos sismos de origem tectônica. Sendo mais próxima da energia liberada em explosões, colapsos ou desabamentos.


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Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores utilizaram diversos métodos científicos que foram interpretados e integrados. Os métodos geofísicos gravimetria, audiomagnetotelúrico e eletrorresistividade permitiram a melhor caracterização do subsolo da região estudada. A interferometria, por sua vez, detectou deslocamento da superfície compatível com subsidência por deformação dúctil/rúptil (rochas que se deformam até o limite de ruptura/rochas que se deformam sem romper) das camadas geológicas na região de poços de extração de sal-gema. As observações de campo - trincas, rachaduras e fissuras e áreas alagadas na borda da Lagoa Mundaú- também apontam deformações compatíveis com a subsidência.
