Central de Polícia de Arapiraca vira depósito e armazena sucata de veículos
Problemas envolvem ainda superlotação em celas com detentos; agentes cobram investimentos por parte do Governo Renan Filho
O governador Renan Filho (MDB) tem divulgado avanços na área da Segurança Pública e anunciado constantes investimentos na área, com destaque para a Polícia Militar. Mas, quando a situação envolve a Polícia Civil (PC), a realidade se mostra distante do que tem mostrado a propaganda oficial da atual gestão no governo. Nesta segunda-feira (22), o pátio da Central de Polícia de Arapiraca continuava lotado de sucatas de automóveis apreendidos e as celas estão sempre superlotadas, assim como tem acontecido na Casa de Custódia. A situação parece se agravar a cada ano.
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"É preciso que as autoridades tomem as devidas providências. A situação se agrava a cada ano. Falta pessoal para o trabalho. O governo tem muita falácia, [diz] que a área da segurança está bem servida, mas não é verdade", disparou Sidney Moreira, chefe do 52º Distrito Policial. Ele atua na Polícia Civil há 27 anos e confessou sentir que a situação somente piora para a corporação.
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Em meio ao pátio lotado com centenas de carcaças de carros e motocicletas, o agente destacou que a Central de Polícia de Arapiraca tem servido de depósito e se transformado em um ambiente hostil para os servidores e para a população que precisa dos serviços da PC. O local abriga 6 delegacias de polícia e mais outras quatro delegacias distritais, entre as quais a Regional e a de Repressão ao Narcotráfico.
Entre os problemas citados pelo agente, além da transformação do espaço em depósito de sucatas, é a superlotação das celas, mesmo após assinatura de Termo de Ajuste de Conduta (TAC) entre o governo e o Ministério Público Estadual, que havia limitado a, no máximo, 6 detentos em cada cela - neste fim de semana o espaço abrigava 10 presos, todos custodiados à espera de decisões da Justiça.


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Na mesma situação, segundo confirmou Sidney Moreira, encontra-se a Casa de Custódia de Arapiraca, que possui oito celas com espaços por metro quadrado para abrigar, em média, 36 pessoas, e que se encontram com mais de 100 detentos.
O agente, que também faz parte do Conselho Fiscal do Sindicato dos Policiais Civis de Alagoas (Sindpol), apontou ainda que a falta de pessoal e de melhores condições de trabalho, são situações que têm contribuído para a deterioração do trabalho da PC.
"Falta pessoal. Quando temos que fazer o acompanhamento de preso para audiência de custódia, o trabalho tem se ser parado na delegacia", assegurou. Ele citou também a retirada de férias pendentes determinada pelo governo, "para não pagar o que é de direito", e destacou que somente ele teria 19 férias para usufruir.
"Quando se dá condições, a polícia dá resultado. Quando se tem investimentos, tem-se respostas mais rápidas no combate e elucidação de crimes", acrescentou.
Ao participar de recente evento na zona rural de Craíbas, o governador Renan Filho concedeu entrevista à imprensa e, na ocasião, foi cobrado por mais investimentos para a Polícia Civil, entre os quais a construção de um Instituto de Criminalística (IC), solicitado há anos por representantes políticos da região. Como resposta, ele disse que o governo não tinha recursos para fazer tudo o que precisa ser feito na área e assegurou que iria realizar concurso público para o preenchimento de vagas na Civil.
Diferente da PC, o governo dispôs de pátio público em Arapiraca, para que a Polícia Militar utilize como depósito para automóveis apreendidos durante operações.

