Mensagens apontam que presidente paraguaio sabia de acordo sobre Itaipu
Oposição demanda julgamento político de Abdo, mas não tem maioria no Congresso para fazê-lo avançar
Nesta terça-feira (6), umas mensagens vazadas na imprensa paraguaia mostram que o presidente do país, Mario Abdo Benítez, sabia sobre a negociação com o Brasil. A reunião foi feita sem divulgação à opinião pública, sobre compra de energia da usina hidrelétrica de Itaipu. Os jornais "ABC Color" e "Ultima Hora", que publicaram as mensagens, não explicaram como tiveram acesso a elas.
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No mesmo dia em que as mensagens vieram à tona, a oposição do Paraguai apresentou, nesta terça-feira(6), um pedido de julgamento político contra Abdo, o vice-presidente do país, Hugo Velázquez, e o ministro da Fazenda, Benigno López, que poderia resultar em impeachment.
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Os opositores não têm maioria, entretanto, nem na Câmara, nem no Senado para que os processos sejam aprovados. A ata secreta com as negociações, cuja divulgação vem causando uma crise política no país vizinho, foi anulada na semana passada.
As conversas


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As mensagens divulgadas foram trocadas entre Abdo e o então presidente da Administração Nacional de Eletricidade (ANDE), Pedro Ferreira, que depois renunciou ao cargo por não concordar com as negociações.
Desde o início das conversas mostradas, em fevereiro, o então presidente da ANDE, Pedro Ferreira, alerta o presidente de que os termos acordados com o Brasil poderiam aumentar o preço das tarifas de energia do Paraguai.
Abdo, por sua vez, pede várias vezes a Ferreira que resolva o impasse sobre a compra de energia de Itaipu. Após uma negociação de Ferreira com o ministro de Energia brasileiro, o presidente paraguaio escreve:
"Me preocupa. Isso afeta nosso governo. E muito. Aqui ninguém vai ganhar se o governo enfraquecer. E se chegamos a um ponto em que a negociação está sob aparente pressão. Deve ser resolvido o mais breve possível.
No dia 5 de março, em várias mensagens consecutivas, o presidente paraguaio pede a Ferreira que "busque uma solução" para o impasse de Itaipu.
"Pedro, apure uma solução. Ande, Eletrobras, está tudo parado. Temos que mover a economia. Itaipu é uma ferramenta. Não se pode ganhar tudo em uma negociação", diz.
Pedro Ferreira responde: "Faremos nosso melhor presidente, mas eles só proporão soluções que impliquem aumento de tarifas para nossos consumidores", diz.
No dia 11 de junho, Pedro Ferreira escreve: "Ata assinada em Brasília agora, em Itaipu."
Abdo responde: "Tem que se manter em silêncio e não polemizar".
Em 4 de julho, Ferreira escreve novamente ao presidente: "Não me agrada como alguns querem que a ANDE assuma o que outros assinaram, sem sequer participar."
Abdo responde: "Temos que passar esta crise e que Itaipu financie o que a ANDE necessitar. Isto tem que passar. E então nós vemos. Faça com sabedoria. Estamos em um momento difícil. O Brasil congelou relações conosco por não cumprir o que assinamos (...)."
Ferreira também diz, reiteradas vezes, que não sabe como a ANDE teria dinheiro para arcar com os custos de ter que usar mais energia contratada de Itaipu (a mais cara).
No mesmo dia, ele afirma ainda que, durante uma das reuniões sobre Itaipu, "homens de confiança de Bolsonaro" perguntaram, de forma reiterada, "como estava o apoio político" do presidente do Paraguai. Alguns, escreve Ferreira, foram mais específicos - questionaram o apoio a Abdo dentro do próprio partido.
"Deduzi que é uma pergunta que Bolsonaro pediu a eles que sondassem", escreve.
Na mensagem em resposta, o presidente paraguaio responde, apenas, "está bem."
