Demora faz alagoanos se cadastrarem em outros estados em busca de transplante
Aqui, 459 pessoas aguardam pelo procedimento, de acordo com a Central de Transplantes
A longa espera por um transplante de órgãos tem induzido muitos alagoanos a se cadastrarem em outros estados para conseguir a doação. No estado, 459 pessoas aguardam pelo procedimento, segundo dados atualizados pela Central de Transplantes e divulgados pelaTV Gazeta.
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Leonardo Melo é estudante, sofre com problema renal crônico e faz diálise três vezes na semana. Ele espera pelo transplante há 12 anos e, preocupado com o tempo que estava passando, decidiu recorrer ao cadastro pelo órgão em Recife (PE).
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"Toda terça, quinta e sábado. É uma longa rotina que a gente tem que se tornar sobrevivente. Tem gente que opta por São Paulo, mas decidi, com a minha família, que Recife era mais perto e teria mais chances de conseguir o órgão. Tenho amigos que se inscreveram e, com menos de um ano, fizeram o transplante".
O cadastro já foi feito e o estudante espera ansioso o contato da central de transplantes pernambucana, embora não negue que gostaria de conseguir realizar o procedimento em Alagoas, perto dos parentes. "Tem que passar seis meses em Recife e não ter a família por perto muda a rotina completamente".


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O aposentado Guilherme Pradines já fez o transplante de rins, mas o organismo dele rejeitou. Em janeiro, vai entrar na lista por um novo órgão novamente e, assim como Leonardo, o cadastro foi feito fora de Alagoas. "É dispendioso, você fica sozinho, não tem família. Se, em Alagoas, funcionassem bem a captação do órgão e o transplante, nós teríamos um aconchego maior, porque estaríamos próximos dos parentes.
A coordenadora estadual de Transplantes de Alagoas, Daniela Ramos, revela que a maior dificuldade ainda é a doação. A central, segundo ela, depende de uma rede que envolve laboratório, de logística, de transporte, das equipes de transplantes.
"Precisamos de uma melhor divulgação para que as pessoas se conscientizem em relação à doação de órgãos. A doação é um ato de amor, de altruísmo e, para muitas pessoas que estão na fila, que dependem de uma esperança para sobreviver, é preciso de uma autorização familiar".
Em Alagoas, das 459 pessoas na lista de transplantes, 241 esperam por córneas, 217 por rins e 1 por um coração.
Em relação ao transplante de fígado, Alagoas ainda não faz, mas, de acordo com Daniela Ramos, uma equipe da Central está providenciando o pedido de credenciamento para que este procedimento seja feito no Estado. A autorização precisa ser expedida pelo Ministério da Saúde (MS). Ela diz esperar que a liberação aconteça até o fim deste ano. Só em Recife, por exemplo, 60 pacientes de Alagoas se cadastraram para obter um fígado novo.
