Editorial: A farsa da escola integral num Estado sem perspectivas para juventude
IBGE mostra Alagoas com 34% de desempregados entre jovens de 18 a 24 anos, muito superior à média nacional de 27%
"Se os governantes não construírem escolas, em 20 anos faltará dinheiro para construir presídios", vaticinou o sociólogo Darcy Ribeiro, em 1982. Nessa época já aflorava sua ideia de implantar os CIEPs, que ocorreu no Rio de Janeiro, com Brizola. A partir de 1990, o governo Collor inspirou-se na semente regional para materializar um projeto nacional pioneiro.
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Assim nasceram os Centros Integrados de Apoio à Criança, de forma a garantir educação em tempo integral, com lazer, assistência básica à saúde e cinco refeições diárias. Não permitiram a Collor a oportunidade de implantar, em todas as regiões do Brasil, os cinco mil CIACs. O projeto terminou sendo esquecido por seus sucessores.
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Quase quatro décadas depois, em plena era digital, a agenda da escola integral convive dramaticamente com o drama da violência, em meio à falta de perspectiva para nossa juventude. Dado recente do IBGE mostra Alagoas com 34% de desempregados entre jovens de 18 a 24 anos, muito superior à média nacional de 27% - já bastante alta.
Se, por um lado, o governador chegou a afirmar que "a educação alagoana viveu uma transformação profunda", com o ensino em tempo integral, por outro, o Sinteal assim o contesta: "Quem está distante do chão da escola faz suas avaliações sem conhecer a dura realidade". A lista de carências é grande. Basta ouvir quem convive com o alunado para perceber que o governo está muito longe do seu dever de casa.


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Pelos dados oficiais, em 2017, no quesito universalização do acesso à educação pública, Alagoas alcançou índice abaixo da média do Nordeste - que já não é lá essas coisas. Para entender as razões desse quadro negativo, é bom refletir sobre as palavras da presidente do Sinteal, professora Consuelo Correia, acerca da educação em tempo integral do Estado:
"Demonstra-se uma grande farsa. O governo fez todo tipo de propaganda possível com o programa, mas, na prática, o que vemos é um modelo de educação excludente". Para reposicionar os analfabetos analógicos no caminho da felicidade, segue outra lição colhida da receita do mestre Darcy: "Só uma escola de tempo integral, para alunos e professores, dá garantia de uma escolaridade proveitosa a crianças oriundas de famílias que não estudaram".
