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Polícia fará reconstituição do assassinato de pastor no Rio de Janeiro

Objetivo é descobrir se havia outra pessoa envolvida além dos dois filhos da deputada que já estão presos

O assassinato do pastor Anderson do Carmo, marido da deputada federal Flordelis (PSD), vai ser reconstituído pela Polícia Civil (PC) do Rio de Janeiro. O objetivo é descobrir se havia uma terceira pessoa envolvida na morte. Dois filhos da deputada já estão presos por suspeita de participação no crime.

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A Delegacia de Homicídios de Niterói, responsável pelo caso, pediu à Interpol que a arma utilizada para matar Anderson seja rastreada. O documento foi assinado pela delegada Bárbara Lomba, titular da especializada, no dia 31 do mês passado. A informação foi publicada pelo jornal Extra e confirmada pela TV Globo.

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Uma pistola calibre 9 milímetros da empresa argentina Bersa foi usada no crime. A arma foi encontrada no quarto de Flávio dos Santos, filho biológico de Flordelis, que está preso junto com Lucas dos Santos de Souza, filho adotivo da deputada, pela morte de Anderson do Carmo. Ambos foram indiciados pelo crime.

No dia 25 de junho, o motorista de aplicativo Daniel Solter disse que, dois dias antes do crime, levou Flávio e Lucas, os dois filhos presos pelo assassinato, até a favela Nova Holanda, na Maré, Zona Norte do Rio, para pagar e buscar a arma que seria usada pra matar o pastor.

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Em depoimento, Daniel disse que reconheceu a arma como a mesma que viu Flávio e Lucas comprando. O motorista disse à polícia que viu Flávio puxar um pacote de dinheiro do bolso e entregar ao fornecedor. Flávio disse ao motorista que estava comprando a arma porque não poderia usar a dele.

Ainda segundo o depoimento do motorista Daniel Solter, o valor da arma seria R$ 8,5 mil. Também foram pagos mais R$ 550 das munições.

Depoimento

Em depoimento, Flávio disse que, mais ou menos um mês antes do crime, a irmã dele, Simone, relatou que o pastor Anderson teria passado a mão nela enquanto dormia.

Em outra ocasião, o pastor também havia tocado em uma de suas filhas. Depois de ficar sabendo desse fato, Flávio teria dito que passou a ter ódio de Anderson, mas naquela ocasião não teve vontade de matá-lo.

O pastor Anderson foi morto a tiros ao chegar em casa, de carro, com a mulher. Flordelis entrou na casa e o pastor estava na garagem no momento em que foi baleado. A polícia não descarta uma motivação financeira para o crime, e tampouco que Flordelis esteja sendo investigada.

No depoimento, Flávio relatou como matou Anderson. O filho do casal disse que, na noite do crime, desceu em direção a garagem, com a arma na mão.

Neste momento, viu o pastor Anderson sozinho na garagem, se aproveitou da situação e disparou contra ele. Flavio afirma, ainda , que o carregador de sua pistola estava completamente cheio, mas só se recorda de ter disparado seis vezes. Depois disso, voltou para o seu quarto e escondeu a arma na parte de cima de um guarda roupa.

Logo depois disso, Flávio relata ter ouvido gritos pela casa. Foi quando subiu para o segundo andar para saber o que estava acontecendo, e encontrou Flordelis muito nervosa e chorando. No fim do depoimento, ele diz que desconfiava que Anderson estava aplicando algum golpe financeiro em Flordelis, que todos da casa tinham a mesma desconfiança. E ainda disse que matou o pastor Anderson por livre e espontânea vontade , sem ajuda ou pedido de ninguém.

Flávio foi preso inicialmente acusado de violência doméstica pela ex-mulher, Tatiana dos Santos. Já na cadeia, ele recebeu outro mandado de prisão, desta vez pela morte do pastor. A ex-mulher de Flávio, que também prestou depoimento, disse à polícia que ele passou a fazer ameaças a ela e ao seu namorado, o que gerou um pedido de medida protetiva e o mandado de prisão contra ele. Na declaração, Tatiana afirma que Flávio chegou a mandar pra ela a foto de uma arma, em janeiro deste ano, com as ameaças.

Flávio e um outro filho da deputada Flordelis e do pastor Anderson, Lucas dos Santos de Souza, também acusado de participação no crime, estão presos na penitenciária de Bangu, na Zona Oeste do Rio. Para a polícia, uma trama para matar o pastor já existia pelo menos desde outubro do ano passado. as investigações não descartam o envolvimento da deputada federal.

O advogado Flavio Crelier, que representa o filho da deputada, disse que não vai se manifestar. A assessoria da de Flordelis também não quis comentar o conteúdo dos depoimentos.

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