Editorial: Gazeta cobra de Renan Filho prática prometida durante campanha
À época da candidatura, gestor deixou escrito o que seria a fórmula da governança eficiente
"É fundamental diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, de tal forma que, num dado momento, a tua fala seja a tua prática". O pensamento pertence ao mestre Paulo Freire, patrono da educação brasileira. Surge em boa hora, quando se confronta o que foi escrito por Renan Filho, em seu programa de candidato, e o que ele faz à frente do governo de Alagoas.
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Lá no programa, que está registrado na Justiça Eleitoral, o candidato deixou escrito o que seria a fórmula da governança eficiente, com corte de gastos excessivos, economia do possível e eliminação de desperdícios. O engodo surge quando se transporta do universo virtual em que o governador orbita para a vida real do povo alagoano.
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Ao saber que Renan Filho permitiu a devolução ao governo federal de mais de R$ 2,5 milhões que haviam sido destinados ao esporte, a deputada estadual Cibele Moura assim protestou: "voltar dinheiro por ineficiência da máquina pública é algo muito danoso". A reação indignada da deputada estadual mais jovem do Brasil representa o sentimento de repulsa aos que insistem em permanecer na velha política, que alimenta o abismo entre o discurso e a prática.
Ou não é revoltante a constatação de que o governador torrou quase R$ 20 milhões com propaganda? E o que dizer da destinação de R$ 4,4 milhões - dinheiro do contribuinte, ressalte-se - para misteriosos "serviços de áudio, vídeo e foto", também nesse semestre que passou? E como ficam os programas importantes que nem saíram do papel, pois figuram como elementos decorativos diante da ausência do aporte de recursos?


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E as obras dos CISPs, que, por problemas estruturais, estão sob suspeita? E os R$ 600 mil desperdiçados no Hemocentro de Arapiraca, cuja ampliação ali não poderia ocorrer? As perguntas se avolumam e permanecem sem respostas. Em breve, poderão ganhar novas interrogações, sobretudo de órgãos que possuem a atribuição constitucional de por a lupa e seguir o caminho do dinheiro público. No mais, viva o pensamento do mestre Paulo Freire.
