Livro que Crivella mandou recolher se esgota na Bienal do Rio
O romance gráfico 'Vingadores, a cruzada das crianças' mostra beijo entre dois personagens masculinos
Todos os exemplares de 'Vingadores, a cruzada das crianças' que estavam à venda em diferentes estandes da Bienal do Livro do Rio se esgotaram em pouco mais de meia hora na manhã desta sexta-feira (6).
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A organização da feira afirmou que, às 9h39, todos os pontos que vendiam o romance gráfico (do inglês graphic novel), que tem a imagem de um beijo de dois personagens masculinos, já não tinham mais revistas.
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Nesta quinta-feira, o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, postou mensagem com vídeo em rede social na qual afirma que determinou a organizadores do evento que recolham a obra. Na visão dele, o livro possui conteúdo impróprio para menores.
Em nota ainda na noite de quinta, a direção da Bienal afirmou que não iria retirar os livros e que daria voz "a todos os públicos, sem distinção, como uma democracia deve ser" (leia mais abaixo).


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No início da tarde desta sexta, fiscais da Secretaria de Ordem Pública da Prefeitura do Rio foram à Bienal do Livro para identificar e lacrar livros considerados "impróprios".
Mais cedo, em nota, a Prefeitura informou que estava cumprindo o Estatuto da Infância e do Adolescente e ameaçou cassar a licença da Bienal (veja mais abaixo).
'Evento plural' e personagens que namoram
Na nota da Bienal, os organizadores do evento afirmava que o evento é "plural, onde todos são bem-vindos e estão representados".
"Inclusive, no próximo fim de semana, a Bienal do Livro terá três painéis para debater a literatura Trans e LGBTQA+. A direção do festival entende que, caso um visitante adquira uma obra que não o agrade, ele tem todo o direito de solicitar a troca do produto, como prevê o Código de Defesa do Consumidor", diz a nota.
A história, de Allan Heinberg e Jim Cheng, aborda a equipe dos Jovens Vingadores. Dela, fazem parte os personagens Wiccano e Hulkling - na trama, eles são namorados.
A edição, de 2016, era oferecida em "saldões". A Salvat, que a publicou, não expõe na Bienal este ano.
A nota da prefeitura
A Prefeitura do Rio citou o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para justificar "a adequação das obras expostas".
"A legislação determina que publicações com cenas impróprias a crianças e adolescentes sejam comercializadas com lacre (embaladas em plástico ou material semelhante), com a devida advertência de classificação indicativa de seu conteúdo", diz a nota.
"No caso em questão, a Prefeitura entendeu inadequado, de acordo com o ECA, que uma obra de super-heróis apresente e ilustre o tema do homossexualismo a adolescentes e crianças, inclusive menores de 10 anos, sem que se avise antes qual seja o seu conteúdo", emendou.
A nota relata reclamação de frequentadores da feira, "que têm direito à livre opinião e opção quanto ao conteúdo de leitura de filhos e adolescentes, pessoas em formação".
O texto rechaça ter havido "qualquer ato de trans ou homofobia ou qualquer tipo de censura à abordagem feita livremente pelo autor".
