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Decisão da Universidade de Coimbra sobre venda de gado preocupa pecuaristas

Instituição anunciou que, a partir de janeiro de 2020, vai proibir a venda de carne bovina nas suas quatorze cantinas universitárias

Na semana passada uma das mais renomadas Universidades do mundo, a de Coimbra (Portugal), anunciou que a partir de janeiro de 2020 vai proibir a venda de carne bovina nas suas quatorze cantinas universitárias.

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Segundo o reitor, Amílcar Falcão, o objetivo é de que a Universidade de Coimbra se torne "a primeira universidade portuguesa neutra em carbono" até 2030 e ao proibir "aquela que é a fonte de maior produção de CO2 que existe a nível da produção de carne animal" garante estar no caminho certo.

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A carne de vaca será substituída por outros ingredientes que ainda vão ser estudados, segundo o reitor. "Vivemos um tempo de emergência climática e temos de colocar travão nesta catástrofe ambiental anunciada", afirmou.

No entanto, a medida causou preocupação. Isso porque, de acordo com o professor Paulo Emilio Fernandes Prohmann, doutor pela University of Kentucky, o motivo alegado para o banimento da venda de carne bovina não procede " Há inúmeros trabalhos e artigos provando que a criação de bovinos reduz a emissão de gases de efeito estufa do planeta, ou seja, a atitude da Universidade de Coimbra vai contra inúmeras pesquisas realizadas em diferentes países", afirma.

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Prohmann salienta ainda que a decisão do reitor poderá gerar informações incorretas no mundo acadêmico. "A preocupação fica evidente no momento em que esta inverídica informação poderá moldar a forma de pensar e agir dos jovens alunos e da comunidade ao redor, pois serão levados a acreditar que realmlente os bovinos são vilões do aquecimento global", pondera.

A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) também exprimiu a sua "profunda perplexidade relativa à notícia relativa à eliminação da oferta de carne de vaca nas cantinas. Em nota enviada à Agência Lusa, a CAP afirma que "a invocada 'emergência climática', desígnio que a todos convoca, não deve - não pode - servir de pretexto para a tomada de decisões infundadas, baseadas em alarmismos incompreensíveis", diz.

"Esta decisão, tomada num contexto universitário, espaço de liberdade e de conhecimento, ainda causa maior perplexidade", critica a confederação do setor agrícola. Para a CAP, "a anunciada imposição, que privará alunos, professores e funcionários, de um elemento que faz parte da dieta alimentar portuguesa e mediterrânica, é uma limitação à sua liberdade de escolha e contribui para confundir os portugueses, porque é alarmista e assentada em pressupostos infundados".

A CAP afirma ainda que a agricultura, onde se inclui a floresta e a pecuária, é a principal atividade desenvolvida pelo homem que mais contribui para a captura de carbono, salientando que "o esforço de descarbonização se faz com a agricultura e com os agricultores e não contra a agricultura e contra os agricultores".

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