Justiça vai analisar pedido de afastamento de PM que atirou em motociclista
Caso a medida - que já foi levada a autoridades - seja aceita, o suspeito será desviado de suas funções na Polícia Militar de Alagoas
Após a delegada Tacyane Ribeiro, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), solicitar medidas cautelares no inquérito policial que investiga a morte do padeiro Marcos Firmino dos Santos, a Justiça alagoana vai analisar o pedido de afastamento do cabo Clevison de Almeida Teixeira, que confessou a autoria dos disparos que mataram a vítima. Caso a medida - que já foi levada a autoridades - seja aceita, o suspeito será desviado de suas funções na Polícia Militar de Alagoas.
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Segundo a delegada, também foi solicitado que o PM deixe de exercer serviços de segurança em estabelecimentos comerciais, até que o inquérito seja concluído. "Como ele se apresentou no prazo e confessou o ocorrido, nos coube, por hora, o pedido de medidas cautelares. Clevison pode ser afastado de suas funções e ficará à disposição da Justiça. Temos até 30 dias para fechar o caso e muitas pessoas ainda devem comparecer à delegacia para prestar depoimentos. No momento, só familiares foram ouvidos", disse Ribeiro.
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Na avaliação da delegada, as imagens que a polícia teve acesso mostram o despreparo do cabo Clevison. "Aquele rapaz (Marcos) foi atingido, mas poderiam ser mais pessoas. Quando a gente vai para uma academia militar que é muito rígida o padrão é não abordar ninguém sozinho. Ele foi ousado em fazer isso e numa avenida movimentada como aquela, naquele horário, além disso, fazendo bico ilegal, pois a instituição não permite, e com a arma da corporação. Fiz contato com a Corregedoria também para abrir investigação contra ele", expôs.
Ainda conforme a delegada, o cabo será indiciado por homicídio doloso. "Ele efetuou diversos disparos em uma avenida bastante movimentada, e a ação mostra o despreparo desse profissional. Ao analisar o vídeo, percebemos que ele sabia o que estava fazendo e o resultado que, posteriormente, seria de sua responsabilidade", concluiu.


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O cabo não foi preso, mas se apresentou na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), nessa terça-feira, após ser apontado como responsável pela morte de Marcos Firmino.
SENTIMENTO
Em contato com aGazetaweb, o irmão da vítima, Adelson dos Santos, contou que toda a família vem sofrendo com a perda. "Ontem, durante depoimento, apenas eu tive condições de falar. Outros parentes estavam em estado de choque e com o sentimento de revolta. Minha mãe não para de chorar e isso me preocupa. Temo que ela entre em uma depressão ou algo pior".
O irmão assegurou, ainda, que está trabalhando junto à polícia para que o caso seja resolvido no prazo. "Estamos esperando o processo ser encerrado para não praticarmos uma atitude errada e o processo, mais adiante, virar contra nós. A delegada nos fornece todas as informações, para facilitar os dois lados", contou.
Adelson dos Santos acrescentou dizendo que a sensação que está passando no momento é de 'revolta', devido o suspeito se encontrar solto. "Eu, particularmente, nem queria que ele se entregasse. Também não imaginei que ele se apresentaria com a presença de dois advogados e fosse posto em liberdade, logo em seguida. Mas a Justiça sabe o que faz e tudo logo vai se resolver", assegurou.
Marcos Firmino tinha cinco filhos e foi sepultado na última segunda-feira (23), em Maceió. Segundo informações da família, a vítima estava indo buscar a esposa no trabalho, quando passava por Cruz das Almas e acabou baleada pelo cabo Clevison, que fazia bico ilegal.
