Salário do professor federal é 'zebra mais gorda', diz ministro
Abraham Weintraub afirmou em fórum em SP que pasta acompanha a situação das federais e defendeu autorregulação das universidades
Nesta quinta-feira (26), o ministro da Educação, Abraham Weintraub, disse que o governo federal está descontingenciando recursos para as universidades federais do país e que, ao longo do ano, "não faltou comida" aos estudantes.
Tudo em um só lugar.
Receba notícias da GazetaWeb no seu WhatsApp e fique por dentro de tudo!

No fim de abril, o MEC bloqueou uma parte do orçamento das 63 universidades e dos 38 institutos federais de ensino. O corte, segundo o governo, foi aplicado sobre gastos não obrigatórios, como água, luz, terceirizados, obras, equipamentos e realização de pesquisas. Despesas obrigatórias, como pagamento de salários e aposentadorias, não foram afetadas.
Leia também
O corte, porém, está afetando o funcionamento cotidiano das universidades, com o racionamento, até, de ar-condicionado nas universidades de Pernambuco.
"A gente está descontingenciando, está acompanhando os dados. Não tem nenhuma universidade fechada", disse Weintraub, ao falar no Fórum Nacional do Ensino Superior (Fnesp), na capital paulista.


Turista é preso em Maceió após ser acusado de agredir e tentar jogar namorada pela janela de hotel

Porto de Pedras conquista duas Bandeiras Azuis para praias da Laje e do Patacho

Vacina Pneumo 20 já está disponível para idosos com 85 anos ou mais no SUS

Circuito Penedo abre inscrições para monitores da UFAL até 12 de outubro
"Não houve quebra das universidades, como alguns veículos falaciosos falaram, não houve nenhum bandejão sem alimento", afirmou.
Segundo o ministro, uma fiscalização identificou desvios de verbas do restaurante de uma universidade federal. Ele, porém, não divulgou em qual.
Para Weintraub, cobrar mensalidade nas universidades federais, não fará a diferença no momento.
"Eu não vou atacar agora a questão de cobrar a mensalidade de quem tem condição, porque não vai resultar em nada. Eu tenho que ir atrás de outros ganhos mais importantes", salientou.
"Eu tenho que ir atrás de onde está a zebra mais gorda: a federal, onde está o professor com dedicação exclusiva e dá só 8 horas de aula por semana e ganha de R$ 15 mil a R$ 20 mil por mês", afirmou.
Autorregulação universitária
Ao falar com jornalistas, o ministro defendeu ainda a "autorregulação" das universidades, sendo que, desta forma, segundo ele, "as universidades que trabalham de maneira séria terão mais liberdade para trabalhar".
"O princípio básico é que eles têm que organizar e apresentar uma proposta e, com base nesta proposta, a gente vai dar mais ou menos liberdade", salientou.
A autorregulação não significaria, segundo ele, menor fiscalização por parte do ministério.
Weintraub afirmou, ainda, que, com o valor de R$ 3 bilhões, que lhe custa anualmente a manutenção de uma universidade federal no Brasil, seria possível colocar em creches e pré-escolas todas as crianças que estão fora do ambiente escolar nestes níveis. Metade dos servidores do governo federal integram o MEC, informou o ministro.
"O problema do ensino superior no Brasil é que a gente gasta uma fortuna de dinheiro com uma pequena quantidade de pessoas. Mais de 80% do ensino superior está na iniciativa privada e o MEC (Ministério da Educação) tem uma folha de pagamento com professores federais que cresce 8% ao ano sem eu fazer nada. Metade dos servidores da republica, 600 mil civis, metade está no MEC, 300 mil. Eu tenho que enfrentar este exército. Dentre outras coisas, doutrinação, metodologia de alfabetização totalmente errada", disse.
"Gasta-se fortunas com universidades federais enquanto a gente não gasta dinheiro com creche e pré-escola. O filho do pobre não vai para a creche ou nem para a pré-escola, então a gente tem 10 universidades federais no Brasil que gastam, que custam, mais de R$ 3 bilhões, cada uma delas, por ano. Com uma delas eu coloco todas as crianças que estão fora das creches e pré-escolas no Brasil", disse.
"No ministério da Educação, vocês têm um liberal que está disposto a comprar as brigas. Aproveitem", acrescentou.
