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Menino deixa o cabelo crescer por dois anos para doar para mulher com câncer

Luiz Felipe Gabe doou para o banco de perucas da Liga de Combate ao Câncer

Nem o bullying, nem as piadas constantes impediram um menino de nove anos, de Cachoeirinha, Região Metropolitana de Porto Alegre, cumprir a promessa de ajudar pessoas com câncer. Luiz Felipe Gabe, filho de um sargento do Corpo de Bombeiros de Canoas, tomou a decisão de deixar o cabelo crescer aos seis, com o objetivo de doá-lo a pessoas que passaram por quimioterapia. Nesta semana, um vídeo que mostra o encontro com a paciente que recebeu a doação ganhou as redes sociais.

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Em 2017, a corporação lançou a campanha #todosporelas, em que cerca de 40 bombeiros aderiram à iniciativa com o intuito de demonstrar a importância do apoio dos homens para as mulheres com o câncer. Inspirado pelo pai, Leandro, o garoto decidiu deixar o cabelo crescer para doá-lo assim que chegasse ao comprimento ideal.

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Como revela o sargento, o filho se sentiu tocado pelas histórias de superação de pacientes que enfrentavam sessões de quimioterapia e uma mudança drástica de aparência.

"Nesse período, teve algumas ocasiões de bullying na escola, mas sempre, quando passava por essas situações, dizia com firmeza que o propósito era a doação do cabelo. Nós apoiamos, os professores apoiaram, e ajudamos a esclarecer a situação. Tanto que, hoje, na turma dele, tem mais dois colegas que também estão com os cabelos compridos", conta Leandro.

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Luiz Felipe não sabia a quem doaria. O gesto altruísta era para qualquer mulher que precisasse do cabelo ? e do carinho. Quem o aproximou a Kátia Regina Pereira, 43 anos, foram os profissionais da estética onde cortava o cabelo e da Liga do Combate ao Câncer de Canoas.

Kátia teve o câncer de mama diagnosticado em 2017. Nesses dois anos, realizou 72 sessões de quimioterapia. O nódulo de 4 centímetros na mama esquerda regrediu até desaparecer totalmente. Porém, a dificuldade em localizá-lo permitiu que houvesse metástase para os ossos. Atualmente, a auxiliar administrativa aposentada administra o uso de morfina de quatro em quatro horas para lidar com a dor.

O intenso tratamento quimoterápico que causou a queda total do cabelo. Ainda que não tenha perdido os seios, o choque com a mudança do aspecto capilar fizeram com que ela adotasse o uso de uma peruca.

"Na maior parte do tempo, uso o lenço. É mais prático. Mas [a falta do cabelo] sempre é um ponto frágil", admite.

Há três anos, a Liga Canoense de Combate ao Câncer realiza a confecção de perucas para ajudar mulheres que perderam o cabelo. Com o aumento da procura, a entidade precisou terceirizar o serviço a empresas, e distribuem entre outras ligas.

"A peruca cura [os problemas de] autoestima das mulheres. Elas sentem falta dos cabelos. A atitude do Felipe é muito nobre", diz Rúbia Gewehr, coordenadora do banco.

"A mulher, desde que nasce, o ponto forte é o cabelo, o cuidado na adolescência. Quando perde, é um baque. Não se compara com perder a mama, são graus diferentes. Mas é um baque", diz Kátia Pereira, que enfrenta um câncer ósseo

A doação de Luiz Felipe é simbólica. O cabelo cortado dias atrás ainda precisa ser processado e transformado em uma peruca. Ainda assim, Kátia, uma das personagens da gravação, dedica todos os méritos da repercussão do vídeo ao menino:

"É maravilhoso quando uma pessoa se dedica tanto, ainda mais na idade dele. É muito bonito e muito tocante. A estrela do vídeo foi o Felipe", resume.

O encontro deixou o menino bastante emocionado. Ele garante que, assim que puder, fará outras doações, seja de cabelo, seja de tempo para dar atenção a pessoas em momentos tão frágeis.

"A gente sempre ajudou várias pessoas. Sempre vou querer ajudar todos que necessitam. Fiquei bem feliz", admite.

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