Deputados soltos pela Alerj deixam Bangu e ouvem gritos de 'ladrão'
Na porta da cadeia, eles ouviram gritos de 'safado' e 'ladrão'
Na tarde desta quinta-feira (24), os quatro deputados estaduais presos em Bangu 8, na Zona Oeste do Rio, deixaram o presídio. A libertação foi determinada na terça-feira em votação na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), por 39 votos a 25.
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Pessoas na porta da penitenciária hostilizaram os parlamentares, com gritos de "safado" e "ladrão".
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O único deputado eleito que falou com a imprensa foi André Corrêa, do DEM, que também foi secretário de Sérgio Cabral (MDB). Ele disse que "os humilhados serão exaltados".


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"Olha só, um ano preso sem ser condenado, sem ter direito a julgamento, sem sequer ser ouvido pelo juiz. É muito sofrido, família sofre, mas eu acredito na Justiça, né? E tenho pra mim reputação estraçalhada".
"Acredito é que a Justiça vai ser feita, sou inocente e aqueles que serão humilhados serão exaltados", afirmou.
Foram soltos:
André Correa (DEM),
Luiz Martins (PDT)
Marcus Vinicius Neskau (PTB)
Marcos Abrahão (Avante)
Já estava em prisão domiciliar:
Chiquinho da Mangueira (PSC)
Imbróglio jurídico na libertação
O resultado da votação da Alerj foi encaminhado ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), que se recusou a emitir o alvará de soltura por considerar que a decisão foi do Poder Legislativo.
Nesta quinta, a própria Alerj enviou um ofício solicitando a libertação. No início da tarde, a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) disse que cumpriria a medida. Eles foram soltos por volta de 16h30.
Os parlamentares - que chegaram a tomar posse dos mandatos em março - estão presos por conta das investigações da Polícia Federal, Ministério Público Federal e Receita Federal que deram lastro à "Operação Furna da Onça".
A operação apurou atos de corrupção, lavagem de dinheiro e loteamento de cargos públicos e de mão de obra terceirizada em órgãos da administração estadual.
O Tribunal de Justiça do Estado suspendeu a posse dos deputados.
Atualmente, cinco deputados estaduais, que eram suplentes, assumiram os cargos e estão exercendo as funções na Alerj.
STF determinou votação
Os deputados foram presos acusados de receber propina do esquema chefiado pelo ex-governador Sergio Cabral em troca de votações favoráveis ao governo na assembleia.
A votação foi determinada pela ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Carmen Lúcia na semana passada.
Ela baseou a decisão em sentença do STF de maio, que entendeu que assembleias estaduais têm o mesmo poder do Congresso de votar se parlamentares que sejam presos devem ser soltos.
