Ministra avalia que mercado dos EUA voltará a comprar carne brasileira
A ministra se diz "decepcionada" com as dificuldades impostas pelo governo dos Estados Unidos
A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, disse hoje (5) acreditar na reabertura do mercado norte-americano para a carne brasileira, vetada por aquele país desde o início da Operação Carne Fraca, em 2017.
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Tereza Cristina tem uma viagem marcada para os EUA no próximo dia 17, onde deverá se encontrar com secretário de Agricultura norte-americano, Sonny Perdue. ?Eles querem apenas rever alguns pontos, a exemplo do que nós, no Brasil, fazemos com outros países. Os EUA são um excelente mercado e vamos reabrir sim esse mercado. Agora vamos ver o dever de casa que temos de fazer?, disse a ministra após participar do 1º Congresso Brasileiro de Gestores da Agropecuária, em Brasília.
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A ministra, no entanto, se diz "decepcionada" com as dificuldades impostas pelo governo dos Estados Unidos. "Achei que a gente já tinha cumprido todas as etapas. Mas isso é mercado internacional e é assim que funciona. Quem manda é quem está comprando. Então vamos lá para ver o que pode ser feito ou revisto".
Tereza Cristina vê, na abertura do mercado chinês para carnes e miúdos brasileiros, uma boa oportunidade para o país compensar a perda de mercado nos EUA. "Temos certeza de que boas coisas acontecerão ainda neste ano", disse, referindo-se à habilitação de algumas plantas brasileiras para a exportação de miúdos à China. "Isso é uma coisa muito boa. Trabalhamos nisso desde maio. Agora vai se concretizar".


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Coordenador da Frente Parlamentar da Agropecuária, o deputado Alceu Moreira (MDB-RS) disse que, tanto os EUA como a Europa, poderão ter problemas, em especial de segurança alimentar, caso continuem a fazer "jogo duro" com os produtos agropecuários brasileiros.
"Eles podem resistir como quiserem, mas eles precisam garantir a segurança alimentar. E o volume de produção de alimentos no mundo é finito", disse o coordenador da bancada.
Segundo Moreira, caso o poder aquisitivo dos países asiáticos e periféricos da China mantenha a tendência de crescimento, em dez anos os produtores brasileiros terão acesso a um mercado consumidor dez vezes maior que o brasileiro. "São 2 bilhões de pessoas", disse o deputado.
Ainda durante o congresso de gestores da agropecuária, Tereza Cristina reiterou o interesse do governo em ampliar a assistência técnica a pequenos produtores. Segundo ela, o ano de 2019 teve como desafio o de planejar e organizar a forma como essa assistência será dada em 2020.
"Será meu maior desafio à frente do ministério no ano que vem. Temos uma obrigação com nossos pequenos produtores. Precisamos fazer assistência técnica. Já temos um programa para 100 mil pequenos produtores no Nordeste brasileiro: o Agronordeste, que está saindo do papel", disse. "E temos mais de 1 milhão que poderemos colocar urgentemente nessa linha de produção mais organizada. Não queremos agricultor abandonando sua propriedade para morar na periferia e ter um subemprego nas grandes cidades".
