Homicídios de crianças e jovens no Brasil têm alta de 47% em 10 anos
País melhorou em outros índices como educação e acesso à saúde
Um relatório divulgado nesta terça-feira (12) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) mostra que o número de homicídios de crianças e adolescentes no Brasil aumentou 47,3% nos últimos 10 anos.
Tudo em um só lugar.
Receba notícias da GazetaWeb no seu WhatsApp e fique por dentro de tudo!

O estudo também mostra que o país melhorou em outros aspectos, como acesso à educação e saúde. Segundo o documento, em 2007, foram registrados 8.013 homicídios de crianças e adolescente entre 10 e 19 anos. Já em 2017, esse número havia crescido para 11.804 casos.
Leia também
Os dados foram obtidos pelo DataSUS, do Ministério da Saúde. "A vida desses adolescentes assassinados é marcada, desde cedo, por violações de direitos, incluindo a discriminação racial", aponta o Unicef.
"São, em sua maioria, meninos negros, pobres, que vivem nas periferias e áreas metropolitanas das grandes cidades", afirma o relatório.


Davi Alcolumbre bate o pé e critica pressão por CPI do Master: “Palanque Eleitoral”

Influenciador é preso em operação contra o Comando Vermelho

Jovem é encontrado morto em terreno baldio no bairro Cleto Marques

Defensoria cobra solução para atrasos na coleta de lixo em Maceió
As informações fazem parte do relatório "30 anos da convenção sobre os direitos da criança: avanços e desafios para meninas e meninos no Brasil". Segundo o levantamento, a taxa de homicídio de jovens é um dos aspectos nos quais o país não tem avançado.
Ainda de acordo com o estudo, "desde 2012, a taxa de homicídios de adolescentes é mais alta do que a da população em geral. Ou seja: no Brasil é mais perigoso ser adolescente do que adulto".
A taxa de suicídios entre crianças e adolescentes nessa faixa etária também teve subida nos últimos anos. Em 2017, foram registrados 714 casos. Dez anos depois, esse total já estava em 1.047, crescimento de 46%.
Conflito com a lei
Outra estatística que também cresceu é a de crianças e adolescentes em conflito com a lei. Segundo o relatório da Unicef, dados do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase) mostram que o total de adolescentes em medida de interna
Em 2008, esse número era de 16,8 mil. Já em 2016, o índice havia crescido para 26,4 mil. Para o Unicef, os dados indicam "que as medidas protetivas vinculadas ao ECA ainda apresentam falhas em sua implementação".
Melhorias
Em sentido contrário, o relatório aponta que o Brasil conseguiu melhorias em índices importantes, como o de trabalho infantil e o de acesso à educação.
Em 2017, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o percentual de crianças e adolescentes fora da escola era de 4,7%. Em 1990, ano seguinte à assinatura da convenção sobre os direitos da criança, essa taxa ficou em 19,6%.
O acesso à saúde também melhorou. Segundo o levantamento, entre 1990 e 2017, a taxa de mortalidade infantil caiu de 47,1 para 13,4 mortes para cada mil nascidos vivos.
Houve ainda evolução na luta contra a pobreza. Em 1991, o percentual de meninos e meninas que viviam em domicílios pobres chegava a 70%. Já em 2015, o índice havia caído para 34%.
Medidas para o futuro
O relatório também aponta possíveis soluções para os problemas ainda enfrentados no Brasil quanto aos direitos de crianças e adolescentes. Segundo o estudo, o aprimoramento de políticas públicas é essencial.
"O Brasil tem o desafio de consolidar conquistas, impedir retrocessos e enfrentar ameaças emergentes, em especial o agravamento da crise climática e o aumento do nível de doenças mentais entre jovens."
