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Carlos Ghosn diz que sua demissão da Renault foi farsa e pede pensão

Ao francês 'Le Figaro', o ex-executivo disse que sua demissão, quando já estava preso, foi uma farsa

O ex-presidente da aliança Renault-Nissan Carlos Ghosn está processando a montadora francesa. O brasileiro, que estava em prisão domiciliar no Japão e fugiu para o Líbano, alega que a carta de renúncia da presidência da Renault, que assinou 1 ano atrás, ainda na prisão, não tem validade.

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"Minha demissão da Renault? É uma farsa!", disse o ex-executivo em entrevista ao jornal francês "Le Figaro", em Beirute.

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Segundo a reportagem, publicada no último domingo (12), ele quer uma pensão, além dos pagamentos de aposentadoria.

"Reivindico meus direitos à aposentadoria e todos os direitos que me foram adquiridos. Eu primeiro queria que isso fosse resolvido amigavelmente", afirmou Ghosn ao jornal.

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Na época, o governo da França, que é acionista da Renault, pressionava a montadora a trocar o comando, que ainda estava oficialmente nas mãos de Ghosn, preso 2 meses antes, em novembro de 2018.

Fianças milionárias e fuga

Ghosn é acusado de irregularidades financeiras e quebra de confiança pela Nissan, no Japão.

O ex-superstar da indústria automotiva pagou fiança milionária para deixar a prisão em março de 2019 e acabou detido novamente, dias depois, tendo de arcar com uma segunda fiança, para aguardar julgamento em prisão domiciliar.

Ele é alvo de um alerta vermelho da Interpol emitido dias depois de sua fuga, no fim do ano passado. O país asiático também pediu que a mulher dele, Carole, que está com ele no Líbano, seja presa.

O ex-executivo, que tem cidadania libanesa e francesa, nega as acusações. Em entrevistas em Beirute, Ghosn voltou a dizer que foi vítima de um complô dos diretores da Nissan com promotores japoneses porque a montadora temia que a Renault aumentasse sua influência sobre a aliança, que foi criada pelo brasileiro.

O Ministério da Justiça do Japão repudiou as declarações.

Jornal fala em separação da Nissan

A aliança Renault-Nissan, que, mais recentemente incluiu a Mitsubishi, começou em março de 1999. Na época, à beira da falência, a japonesa Nissan, sob o comando de Ghosn, vendeu 36,8% de suas ações para a francesa Renault, que também era liderada pelo brasileiro.

Também no último domingo, o jornal "Financial Times" publicou, de acordo com fontes, que a Nissan tem um plano para se separar da Renault. A medida incluiria uma divisão total nas áreas de engenharia e manufatura, e mudanças no conselho da Nissan.

As ações da montadora francesa caíram cerca de 3% nesta segunda. As montadoras não comentaram a reportagem.

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