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Ludmilla lembra assédio de dono de rádio e a batalha por autoaceitação

Em entrevista, cantora falou sobre sobre o difícil início da carreira e a hipocrisia de políticos defendendo a proibição do funk em ano de eleição

O ano passado foi, certamente, o mais importante de Ludmilla até agora. Em outubro, levou o título do mais prestigiado prêmio da música brasileira, concedido pelo Multishow, o de cantora do ano. Em um discurso emocionado, cravou: "É o choro de uma luta muito grande, muito longa. Só queria dizer para todas as meninas, todas as mulheres que nunca mesmo deixem alguém falar o que você é ou o que você pode ser na vida de vocês". Lançou uma sequência de hits, como Onda diferente, em parceria com Anitta (que rendeu uma polêmica entre os fãs das duas sobre a autoria da música); e Verdinha que, em um mês, somou 40 milhões de visualizações. Ainda em 2019, Rihanna escolheu a Malokeira (composta por ela em parceria com outros três MCs) para abrir o primeiro desfile de sua grife de lingerie, a Savage Fenty, em Nova York. Também gravou uma música com a rapper Cardi B e passou a apresentar um programa de TV na Globo, o Só Toca Top.

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"Me achava feia pra caraca. Não queria fazer programa de televisão, clipe. Ia praticamente obrigada"

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Lutar contra a hipocrisia é uma batalha da funkeira. Com o lançamento de Verdinha (eu fiz um pé/ lá no meu quintal/ to vendendo a grama da verdinha a um real), foi processada por deputados federais, que veem na letra uma apologia à maconha. "Tenho direito à liberdade de expressão e meus advogados estão vendo isso", diz sobre a acusação e emenda: "Brasileiro idolatra a galera lá de fora, diz que os americanos são muito bons, e lá a parada é legalizada com organização. A loja que vende parece a Apple. Você só entra com cadastro, tem um iPad do lado de cada planta que diz se causa relaxamento etc. Chegou a hora de o Brasil dar um start e estudar uma maneira correta de fazer a coisa. Muita gente de paletó vai perder dinheiro, o probleminha está aí". Ainda sobre hipocrisia, emenda: "Vira e mexe querem proibir o funk. É ano de eleição e tem político querendo levantar isso, em vez de pegar uma causa decente. A menina Ágatha morreu de tiro e não vi nenhum político prestar sentimentos à família, bancar o velório".

"Vira e mexe querem proibir o funk. É ano de eleição e tem político  querendo levantar isso, em vez de pegar uma causa decente"

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Ludmilla também elenca as barreiras que superou como mulher no universo do funk. "É um espaço difícil para nós. O apelo é muito diferente. Quando entra um cara no palco, sem camisa, não precisa nem cantar. É só dizer ?boto meu pau aqui, boto meu pau ali? e pronto. Se a mulher canta ?vem aqui e cai de boca na minha boceta?, todo mundo diz: ?Que baixa, que suja?. O camarim era sempre compartilhado, eu era sempre a única menina." Ela lembra ainda o episódio em que foi assediada pelo dono de uma rádio, no começo da carreira. "Ele veio, tirou foto comigo, desceu a mão e deixou parada na minha bunda. Tirei a mão dele e falei: ?Ei, você não pode fazer isso?. Ele começou com umas de ?Ah, sou o dono da rádio?. Podia ser dono da puta que pariu, eu ia embora daquele caralho. Chamei meu tio e sumi."

Outra batalha que travou foi a da autoaceitação. Já disse várias vezes, em entrevistas e nas redes sociais que, durante a adolescência, tinha autoestima baixa. "Me achava feia pra caraca. Não queria fazer programa de televisão, clipe. Ia praticamente obrigada. Isso me prejudicava bastante, porque muita gente achava que era metida ou geniosa, mas eu não queria falar a verdade para não piorar a situação. Protegia a minha dor até ela passar", diz.

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