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Juíza proíbe publicação de livro sobre Suzane von Richthofen

Detenta obteve liminar que impede publicação do livro 'Suzane - Assassina e Manipuladora', do jornalista Ulisses Campbell.

A publicação de um livro sobre a detenta Suzane von Rochthofen, presa em Tremembé (SP) foi proibido por uma liminar concedida pela juíza Sueli Zeraik, da Vara de Execuções Criminais (VEC) de Taubaté (SP). Ela está presa em Tremembé, em São Paulo. A decisão provisória reverte a sentença de 2ª instância em outro processo sobre o tema - em novembro a Justiça negou o pedido da presa, condenada a 39 anos de prisão pela morte dos pais em 2002. A defesa do autor e editora informaram nesta quinta-feira (21) que vão recorrer.

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O livro 'Suzane - Assassina e Manipuladora', do jornalista Ulisses Campbell, tem publicação prevista para janeiro de 2020 pela editora Matrix. A trama pretende recontar a história de um dos crimes de maior repercussão no país - Suzane planejou o assassinato dos pais, que foram executados pelo então namorado, Daniel Cravinhos, com ajuda do irmão dele, Cristian. Suzane e o ex-cunhado ainda cumprem pena na prisão pelos homicídios.

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A magistrada, na liminar que está em sigilo, citou que no livro o autor conta em detalhes a história de Suzane, do crime à vida na prisão. Ela afirma também que, para a produção, o jornalista diz ter entrevistado pessoas que têm acesso à presa, como psicólogos do sistema prisional e agentes carcerários, além de ter analisado o processo do caso Richthofen, cujo sigilo foi imposto por ela em 2016.

A juíza considera que o direito à imagem dá à pessoa meios de defesa contra divulgações não autorizadas e avaliou que a publicação da obra seria 'sensacionalismo', contribuindo para a execração pública da condenada, dificultando a ressocialização da detenta, que cumpre pena no regime semiaberto. Suzane pleiteia desde 2017 o cumprimento do restante da pena em liberdade.

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Sueli Zeraik afirmou também que Ulisses não teve acesso, legítimo, a registros ou dados de Suzane que sustentem a autenticidade da obra. Ela diz que não há registro ou notícia de encontros e conversas dele com profissionais do sistema carcerário e que, o ato, de qualquer maneira, é proibido. O autor e a editora contestam as afirmações.

A juíza também sustenta que não há interesse público no caso e que a publicação representaria um dano irreparável a Suzane, que não quis dar entrevista ao autor do livro.

O que dizem o jornalista e a editora

O dona da editora Matrix, Paulo Tadeu, disse ao G1, por telefone, que vai recorrer para reverter a liminar. "Respeito o trabalho da juíza, entendo o 'outro lado', mas é um livro sobre Suzane, e a magistrada não leu a obra ainda para alegar que há informações que serão publicadas e que estão em segredo. Isso não corresponde à verdade. É um livro com uma apuração primorosa, sem ilegalidades", disse.

O advogado Alexandre Fidalgo, que defende o jornalista, considera que a liminar atenta contra a liberdade do autor. "É uma forma de censura, que considero não ter amparo legal. Quando é dito [na decisão]que as informações não consistem em interesse público, entendo que essa é uma visão errada do fato, não se pode impedir a difusão de informação", afirmou.

Sobre a produção do livro, Ulisses diz que já esteve no presídio em Tremembé nove vezes e que o trabalho de apuração da obra não foi feito dentro da unidade. "Nunca disse que fiz entrevistas dentro da cadeia, todas foram feitas fora, é um trabalho de apuração. Entrevistei agentes das unidades por onde Suzane passou desde que elafoi presa. Além disso, o processo dela, até junho de 2016 era uma peça aberta, lá já continha informações sobre o perfil psicológico dela", disse.

Sobre o interesse público da obra, o autor discorda. "O dano irreparável, que a execra, é o que ela fez. Quem tem que ditar o que é intersse público ou não, é o público", concluiu.

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