VÍDEO: Ministra Damares Alves convoca entrevista e fica em silêncio
Depois, ela disse que quis mostrar 'como é difícil uma mulher ficar em silêncio'
Antes do evento de lançamento da campanha de enfrentamento à violência contra a mulher nesta segunda-feira (25), a ministra Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos) convocou uma entrevista coletiva para explicar o projeto, mas permaneceu em silêncio, sem responder às perguntas. Após a cerimônia, disse que a intenção do gesto foi mostrar "como é difícil uma mulher ficar em silêncio".
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A campanha foi lançada em solenidade no Palácio do Planalto, com a presença do presidente Jair Bolsonaro. O lema da campanha deste ano será "Quando uma mulher perde a voz, todas perdem" ? em 2018, o lema foi "Você tem voz".
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A campanha do governo federal terá divulgação na TV, no rádio e na internet da música "Amor que dói", da dupla sertaneja Simone e Simaria, em que as duas ficam em silêncio. Uma versão em que elas cantam também foi lançada nesta segunda.
No evento, o governo não anunciou outra medida além da divulgação da música.


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Silêncio em entrevista
Pouco antes de a cerimônia desta segunda-feira começar, a assessoria de imprensa da Presidência da República convocou a imprensa a uma entrevista coletiva com a ministra Damares Alves, também no Palácio do Planalto.
Quando a ministra chegou ao local, ficou calada, olhou para alguns jornalistas, mexeu no celular e deixou o local sem responder a perguntas (veja no vídeo acima).
Depois do evento, os jornalistas procuraram a ministra, para tentar uma nova entrevista. Ela, então, disse que "preferiu o silêncio" na primeira entrevista para mostrar aos repórteres "como é difícil uma mulher ficar em silêncio".
"Eu fiquei em silêncio para que vocês sintam como é difícil uma mulher ficar em silêncio. Quando eu queria falar tanto com vocês, dizer para vocês dessa campanha belíssima, eu preferi o silêncio. É muito ruim tirar a voz de uma mulher, era esse o recado que eu queria dar. E obrigado por terem participado, voluntariamente, involuntariamente, da campanha. Que todas as mulheres tenham voz."
Dados
Segundo o governo federal, o Brasil registra os seguintes números relacionados à violência contra a mulher:
Discursos
Durante o lançamento da campanha, o presidente Jair Bolsonaro disse ser preciso criar os meios necessários para "dissuadir" os agressores, seja com a aprovação de leis ou de normas que os façam "se arrepender".
"Tenho minha mãe viva, está entre nós aos 92 anos, tenho uma esposa e uma filha de 9 anos. O que eu faço e o que nós fazemos hoje será revertido lá na frente, em benefício para essa minha filha. Não consigo imaginar ela sofrendo agressão um dia", disse o presidente.
Em seguida, ele se dirigiu à ministra Damares, afirmando que ela "é agredida pela sua função". "Você sabe, como evangélica, cristã, que não existe prazer maior do que ajudar o próximo, em especial a mulher brasileira. Muito obrigado por você existir", declarou.
Antes do discurso de Bolsonaro, Damares fez um discurso no qual informou que o governo firmará um acordo com o Conselho Federal de Medicina para capacitar 400 mil médicos a identificar sintomas de violência contra a mulher.
Segundo a ministra, também será lançada uma campanha para aumento da participação feminina na política, cuja meta será eleger ao menos uma mulher por cidade.
"É hora da gente dizer 'chega', dizer 'basta'. E este governo tem dado sinais de que não vai permitir que a mulher seja vítima de violência como nos anos passados", disse a ministra.
"Ainda temos muito para alcançar. Temos muitos desafios. Mulheres ainda morrem tão somente por serem mulheres, e isso é um absurdo. Quando olhamos para os números, começamos a entender esse fenômeno", acrescentou.
Com a voz embargada, a ministra também leu um texto sobre ela e a ministra Tereza Cristina. "Semana passada, mulheres extraordinárias foram covardemente atacadas por um jornalista que odeia mulheres. Uma revista de circulação nacional trouxe agressões terríveis a mulheres que estão trabalhando, e uma dessas mulheres foi a ministra Tereza Cristina?, afirmou a ministra.
"Chega de violência contra a mulher no Brasil. Chega de qualquer tipo de violência contra a mulher. Lugar de mulher é onde ela quiser. Vamos mandar um recado para este repórter para todos os agressores acabou para vocês. Bolsonaro é presidente do Brasil e Damares é ministra", concluiu.
Damares travou nesta segunda-feira (25) ao participar do lançamento da campanha "Você tem voz", de enfrentamento à violência contra a mulher. No início da coletiva, porém, assim que as primeiras perguntas foram feitas, a ministra ficou nervosa e disse que iria embora pic.twitter.com/RoGSI4aouR
— Metrópoles (@Metropoles) November 25, 2019
