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Grupo de WhatsApp, e ajuda da polícia: montadoras estão reparando respiradores

Ao menos 9 marcas participam de força-tarefa centralizada pelo governo federal

As linhas de montagem de carros estão paradas. As atenções em algumas fábricas de veículos do Brasil agora se voltaram para máquinas bem diferentes: os respiradores hospitalares.

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Chevrolet, Fiat, Ford, Honda, Jaguar Land Rover, Jeep, Renault, Scania e Toyota confirmaram que aderiram a uma recém-criada força-tarefa para o conserto desses equipamentos fundamentais para o tratamento de doentes graves de Covid-19. O trabalho começou no meio desta semana.

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O objetivo é reparar cerca de 3 mil aparelhos fora de uso mapeados em todo o Brasil, um número que pode ser ainda maior. Até esta sexta, 6 das 9 marcas que confirmaram participação tinham recebido cerca de 80 respiradores, segundo levantamento do G1.

Mas como transformar quem entende de máquina de fazer carros e caminhões em reparador de máquinas hospitalares?

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"A base nós temos, que é o conhecimento de eletrônica", explicou Marcos Túlio Sousa, supervisor de manutenção da Fiat em Betim (MG). "Equipamento industrial e médico possuem o mesmo componente."

"É muito gratificante conseguir ajudar utilizando aquilo que eu sei fazer. Se conseguisse reparar 1, para mim já teria valido todo o trabalho", descreve Sousa.

Ao embasamento técnico foi agregado um treinamento específico - e virtual, é claro - com especialistas do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e da Associação Brasileira de Engenharia Clínica (Abeclin).

Além disso, as experiências são trocadas diariamente em uma rede de compartilhamento de informações por mensagens de WhatsApp formada por técnicos, profissionais de saúde e outras empresas, como as de transporte e de certificação dos aparelhos.

E não é um apertar de parafuso: o tempo entre receber cada respirador e devolvê-lo, consertado, se possível, e certificado, é de pelo menos 3 dias.

Antes de qualquer contato com os técnicos, os respiradores passam por uma espécie de "quarentena", ficando isolados por 24 dias, informou a Toyota. Os especialistas também trabalham protegidos com luvas, máscaras e óculos.

Os primeiros desafios

Dezesseis respiradores vindos de hospitais de MG chegaram às mãos de Sousa nesta primeira semana, cheia de desafios: alguns, parados há mais tempo, nem têm um histórico para se saber qual é o defeito.

Apenas dois estavam em testes finais até a última sexta (3), quando ele conversou com o G1.

Sousa e os oito técnicos que participam dessa ação pela Fiat se depararam com situações mais simples, como um aparelho em que aparentemente bastou trocar a bateria, até outra que ainda permanecia um mistério.

"Ontem, dois técnicos ficaram com o respirador das 6h às 15h e não conseguiram identificar o problema. Vão continuar amanhã (sábado)", contou o supervisor da Fiat.

Quando a questão envolve reposição de peças, algumas podem ser feitas com impressora 3D, explica Sousa. A troca de mensagens com os demais participantes também ajuda a ganhar tempo: "Conseguimos em 20 minutos o manual de um equipamento, graças ao grupo", destacou.

Depois do reparo, é preciso testar o aparelho por cerca de 12 horas, para se ter certeza de que ele funciona dentro de todos os parâmetros necessários.

De onde vêm os respiradores?

Quem centraliza a operação é o Ministério da Economia, explicou Leonardo Amaral, responsável pela coordenação na Fiat.

O governo federal informou as secretarias de estado sobre a iniciativa, e elas enviaram um ofício que explica o procedimento para cada unidade de saúde.

Os pedidos são chegam por e-mail ao Ministério da Economia, que distribui as demandas entre as fábricas, respeitado a ordem de chegada das solicitações, disse Amaral.

Os aparelhos de MG são distribuídos entre a Fiat e o Senai. Quem transporta esses respiradores são empresas de logística e outras que contribuem na força-tarefa. Às vezes, o próprio hospital.

"Nossa expectativa era de receber mais 50 aparelhos na semana que vem. Mas, agora, entendo que o número vai aumentar porque a polícia de MG está autorizada a retirar esses equipamentos também", afirmou Marcos Sousa, supervisor de manutenção da montadora.

Na última quinta (2), o comandante-geral da Polícia Militar do estado disse que a meta era arrecadar respiradores em mais de 1,3 mil pontos em 24 horas.

Assim como a Fiat, que também faz o mesmo trabalho em Pernambuco, as demais fabricantes de veículos que anunciaram participação na iniciativa atendem unidades de saúde onde têm produção: os estados da Bahia, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.

80 em conserto

O G1 procurou as 9 marcas na última sexta para saber quantos aparelhos elas receberam nesta primeira semana da força-tarefa. Cinco delas tinham cerca de 70 respiradores para consertar.

A General Motors, dona da Chevrolet, já havia informado ao SPTV que recebeu 10 e consertou 2. No começo da semana, a montadora disse ao G1 que iria disponibilizar todas as suas fábricas para a ação.

Além dos 16 aparelhos que estão em Betim, a Fiat e a Jeep, que fazem parte do mesmo grupo, têm outros 15 em Pernambuco, vindos da Paraíba - a empresa atenderá também a este estado.

A Honda recebeu cerca de 20 respiradores em sua fábrica de Sumaré (SP) e 1 já estava em fase de testes nesta sexta para voltar a ser usado. A empresa destacou aproximadamente 30 funcionários, entre engenheiros e técnicos, para a tarefa.

A mesma quantidade de pessoas está trabalhando em instalações construídas em um ginásio esportivo da Scania, fabricante de caminhões, em São Bernardo do Campo (SP), para consertar os respiradores.

A primeira remessa, com 22 equipamentos, foi retirada de forma voluntária de um hospital de São Paulo. Nesta sexta, a empresa recebeu outros 15, vindos da Baixada Santista.

A Toyota recebeu os primeiros 3 respiradores na última quinta e eles ainda passam pela "quarentena". Doze técnicos vão atuar nos reparos, que serão feitos na unidade de Sorocaba (SP).

No Paraná, a Renault treinou 4 funcionários para trabalharem na manutenção dos respiradores. A empresa afirma que os equipamentos serão enviados primeiramente para o Senai de Maringá. Lá, será feita uma triagem, para, então, serem repassados para a fabricante.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou que existem, ao todo, 25 pontos de manutenção, dos quais 10 são unidades do Senai e 15 estão em unidades das montadoras citadas na reportagem e também da ArcerlorMittal e da Vale.

Esses "pontos da iniciativa + manutenção de respiradores" estão em 13 estados: Bahia, Ceará, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte , Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.

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